Os preços do petróleo estão a negociar com desvalorizações depois de o Brent ter nesta quinta-feira (10) disparado mais de 6% para perto dos 107 dólares por barril – máximos de Maio -, enquanto a guerra no Médio Oriente se intensifica, aumentando os receios de novas perturbações no abastecimento energético.
O Brent, de referência na Europa, recua 1,72%, para 105,78 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), de referência nos Estados Unidos da América (EUA), cede 1,36%, para 101,09 dólares.
Os Houthis, apoiados pelo Irão, avançaram em direcção às zonas costeiras junto ao estratégico Estreito de Bab al-Mandeb, conquistando terreno na tentativa de tomar a cidade de Mokha, perto da extremidade sul do Mar Vermelho.
“Uma retoma de uma guerra aberta entre a Arábia Saudita e os Houthis seria um potencial catalisador para que o nosso cenário de preços elevados do petróleo se concretizasse”, escreveram analistas do RBC Capital Markets, numa nota citada pela Bloomberg. Mokha fica mais perto do Estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, e “permitiria ao grupo projectar as suas capacidades de perturbação mais para sul, em direcção aos pontos mais estreitos da via marítima”, que constitui um importante corredor para o transporte de mercadorias.
Além dos desenvolvimentos geopolíticos, o recente aumento das compras de crude por parte da China também está a contribuir para apertar o mercado mundial, depois de as importações chinesas terem vindo a diminuir.
Entretanto, numa altura em que a produção de crude da Arábia Saudita atingiu níveis mínimos não registados desde os anos 90, os principais diplomatas dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo deverão reunir-se na segunda-feira (14) com o homólogo iraniano. A iniciativa, promovida por Omã e pelo Irão, visa obter apoio a um acordo destinado a gerir temporariamente o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, avançou o Financial Times, citando duas pessoas com conhecimento do assunto.
Já o Irão e os EUA preparam-se para um conflito prolongado, com poucos sinais de uma trégua a curto prazo ou de uma normalização dos fluxos de energia no Médio Oriente.
O Brent acumula uma subida de quase 80% este ano, embora se mantenha, para já, abaixo do máximo atingido em Abril, pouco acima dos 126 dólares por barril.
Além do crude, os preços do gás natural na Europa recuam 1,54%, para 80,78 euros por megawatt-hora.



























































