O Governo pretende reservar 10% de participação ao sector privado nacional em grandes projectos de infra-estruturas e logística, através da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), como parte da estratégia para aumentar a participação nacional nos investimentos e reduzir a dependência de capitais estrangeiros.
A informação foi avançada nesta quinta-feira, 10 de Setembro, pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a 22.ª edição do Economic Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), onde defendeu uma maior participação de investidores moçambicanos no capital dos grandes projectos.
Entre os investimentos abrangidos está o Porto Seco de Dondo, na província de Sofala, avaliado em cerca de 80 milhões de dólares. Segundo Matlombe, 10% do capital será disponibilizado ao sector privado através da Bolsa de Valores.
A mesma estratégia será aplicada na fronteira de Machipanda, em Manica, num projecto estimado em 37 milhões de dólares, e num terminal dedicado a combustíveis no Porto de Nacala, avaliado em cerca de 57 milhões de dólares.
“Dedicamos 10% para a participação do sector privado”, afirmou Matlombe, apelando aos empresários para aproveitarem a Bolsa de Valores como plataforma de acesso às oportunidades de investimento.
O ministro defendeu que os grandes investimentos devem deixar de ser vistos apenas como projectos de capital estrangeiro e passar a funcionar como instrumentos de criação de riqueza para empresas e investidores nacionais.
“Não haverá independência económica sem os moçambicanos ricos. Não vamos conseguir ter independência económica sem os moçambicanos e empresas de moçambicanos ricos”, acrescentou.
Matlombe revelou ainda que o Governo pretende adoptar a mesma abordagem em futuros projectos, incluindo o corredor de Maputo, actualmente em fase de concurso, e concessões rodoviárias, garantindo espaço para a participação de investidores nacionais.
Segundo o governante, a estratégia pretende também reduzir a saída de capitais, num contexto em que grande parte das empresas de maior dimensão é controlada por investidores estrangeiros.
“80% das grandes empresas que temos são detidas por cidadãos ou por empresas estrangeiras. Resultado, todos os anos temos de expatriar”, disse.
Conteúdo local e corredores logísticos
Além da participação accionista, o Governo pretende reforçar o conteúdo local nos grandes projectos de infra-estruturas e logística, criando oportunidades para empresas nacionais na construção, manutenção, operação, fornecimento de equipamentos e serviços, tecnologia e gestão.
Matlombe considera que Moçambique deve aproveitar a sua localização geográfica, os portos, as ferrovias e os corredores de transporte para transformar a logística num dos principais motores da economia e alterar a matriz económica do País nos próximos 10 a 15 anos. Destacou também a necessidade de integrar portos, ferrovias, estradas e transporte marítimo para reduzir os custos logísticos e aumentar a competitividade dos corredores nacionais.

Segundo Matlombe, desde o relançamento da cabotagem marítima, em Abril do ano passado, foram transportadas cargas equivalentes a mais de 14 mil camiões, reduzindo a pressão sobre as estradas e permitindo ligações regulares entre Maputo, Beira, Nacala, Pemba e Afungi.
Apesar dos investimentos e oportunidades em curso, o governante reconheceu os riscos associados ao aumento do preço do petróleo e ao conflito no Médio Oriente, que pressionam os custos dos transportes, da logística e da agricultura.
Para Matlombe, a resposta passa por uma maior cooperação entre o Governo e o sector privado, com o objectivo de transformar os corredores logísticos e os grandes investimentos em plataformas de produção, emprego, participação empresarial nacional e crescimento económico.
Texto: Germano Ndlovo



























































