O financiamento mobilizado por empresas através da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) atingiu 69 mil milhões de meticais (mil milhões de dólares) até Junho deste ano, representando um crescimento de 17,4% face ao mesmo período do ano passado, anunciou nesta quinta-feira, 10 de Setembro, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da instituição, Pedro Cossa.
O responsável falava na 22.ª edição do Economic Briefing, organizado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), onde destacou o papel do mercado de capitais como alternativa ao financiamento bancário, num contexto em que a prime rate se mantém nos 15,5%.
“Perante este quadro, o mercado de capitais deixa de ser uma alternativa acessória e passa a ser uma necessidade estrutural”, afirmou Cossa, defendendo uma maior utilização da Bolsa pelas empresas nacionais.
Segundo o PCA, o financiamento acumulado canalizado através da BVM desde a sua criação ascende a 413 mil milhões de meticais, enquanto a capitalização bolsista atingiu 217 mil milhões de meticais em Junho deste ano, mais 8,4% do que no mesmo período de 2025.
A capitalização bolsista representa actualmente 19,69% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 18,15% há um ano, sinalizando, segundo Cossa, um aumento do peso do mercado de capitais na economia nacional.
A dinamização do mercado também se reflecte no volume de negociação. No primeiro semestre, a negociação de obrigações corporativas cresceu 175%, enquanto a de acções aumentou 257%. No mercado accionista, o valor transaccionado passou de 28,3 milhões de meticais para 108,2 milhões de meticais.
Pedro Cossa destacou ainda a valorização das empresas cotadas, apontando a Cervejas de Moçambique (CDM), com uma subida de 48,3%, a Tropigália, com 8%, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), com 6,9%, a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH), com 6,6%, e a HemoS, com 0,9%.
Para o PCA, estes indicadores demonstram que existe capacidade de poupança interna para financiar empresas nacionais. “O que falta, em muitos casos, não é procura de investimento, é oferta de bons activos, é a oferta das vossas empresas”, sublinhou.
A BVM pretende, por isso, aumentar o número de empresas que recorrem ao mercado de capitais. Entre Março e Maio de 2026, foram registadas 12 novas sociedades emitentes de acções na Central de Valores Mobiliários, número que, de acordo com o responsável, corresponde a mais de 10% de todas as sociedades registadas desde a criação da Central, em 2014.
O responsável revelou igualmente que a BVM está a trabalhar com o Ministério das Finanças na implementação das obrigações legais de registo e dispersão de capital. Segundo Cossa, um levantamento realizado no início deste ano indicou que o grau de cumprimento dessas obrigações era “praticamente nulo”.
O PCA da BVM apelou às empresas para encararem a entrada na Bolsa como uma oportunidade de crescimento, e não apenas como uma imposição legal.
“A Bolsa não é um espaço reservado apenas a grandes empresas. É um instrumento de política económica do Governo, ao serviço de todo o tecido empresarial nacional”, concluiu.
Texto: Germano Ndlovo



























































