O Índice de Robustez Empresarial recuperou ligeiramente no segundo trimestre, passando de 26% para 27%, num período marcado por cheias, crise de combustíveis e restrições no acesso ao mercado cambial, anunciou nesta quinta-feira, 10 de Setembro, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
A melhoria, embora marginal, representa um sinal de resiliência do sector privado perante os sucessivos choques que têm condicionado a actividade empresarial no País, segundo o presidente da CTA, Álvaro Massingue, que falava na 22.ª edição do Economic Briefing.
“Demonstram que o sector privado nacional continua a revelar capacidade de resiliência e adaptação. Contudo, não podemos interpretar esta melhoria como sinal de que os problemas estruturais sejam ultrapassados”, afirmou Massingue.
A recuperação da robustez empresarial ocorreu num trimestre em que a actividade económica começou a apresentar sinais de melhoria, apesar dos impactos das cheias nas províncias de Maputo e Gaza, da crise dos combustíveis e das dificuldades de acesso a moeda estrangeira.
O índice do ambiente macroeconómico acompanhou esta tendência, tendo melhorado de 55% para 58% entre o primeiro e o segundo trimestre. De acordo com a CTA, a evolução foi impulsionada pelo ligeiro aumento da procura agregada, pela estabilidade cambial e pelo comportamento favorável das taxas de juro.
Apesar da recuperação dos indicadores, a actividade empresarial continua exposta a constrangimentos que limitam a capacidade de produção e aumentam os custos das empresas. Entre os principais obstáculos está o abastecimento de combustíveis. Massingue afirmou que o aumento de cerca de 46% no preço do gasóleo, associado à escassez de oferta, está a produzir efeitos em cadeia sobre a indústria, os transportes, a agricultura e os consumidores.
“O aumento de cerca de 46% no preço do gasóleo, associado à escassez de oferta, tem efeitos em cadeia sobre a indústria, os transportes, a agricultura e, naturalmente, sobre os consumidores”, frisou o responsável.
As dificuldades de acesso a moeda estrangeira constituem igualmente um dos principais constrangimentos à actividade empresarial, ao limitarem a capacidade das empresas de importar matérias-primas, equipamentos, combustíveis e outros insumos essenciais à produção.
Perante este cenário, a CTA defende uma maior articulação entre as políticas monetária, cambial e fiscal, bem como medidas destinadas a reduzir o custo do financiamento ao sector privado. Actualmente, a prime rate situa-se em 15,5%, à qual acrescem os spreads de risco aplicados pelos bancos comerciais.
Para os próximos meses, a confederação empresarial mantém uma perspectiva de recuperação moderada da actividade, sustentada pela normalização do abastecimento de combustíveis, pela continuidade da comercialização agrícola e pela intensificação das actividades ligadas aos projectos de gás natural.
A CTA alerta, contudo, para os riscos associados à volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis e à incerteza geopolítica, defendendo uma actuação coordenada entre o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento para remover os constrangimentos estruturais à competitividade empresarial.
Texto: Germano Ndlovo



























































