A África do Sul está a preparar um plano para recuperar parte da sua capacidade de refinação de petróleo, numa tentativa de reduzir a crescente dependência de combustíveis importados. Cerca de metade da capacidade de refinação do país encontra-se actualmente parada, com aproximadamente 49% das instalações inactivas.
O Fundo Central de Energia da África do Sul (CEF, na sigla em inglês) pretende reconstruir a refinaria Sapref, localizada a sul da cidade portuária de Durban. A unidade deixou de operar depois de ter sido danificada pelas cheias que atingiram a província de KwaZulu-Natal em 2022.
Segundo o CEF, a primeira fase do projecto prevê recuperar a capacidade da refinaria para processar 400 mil barris de petróleo por dia. Numa segunda fase, a capacidade poderá aumentar para 650 mil barris diários, dependendo da concretização do investimento e da obtenção das respectivas aprovações.
O fundo não avançou, contudo, com detalhes sobre o financiamento do projecto nem sobre o calendário previsto para a sua execução.
A recuperação da Sapref deverá reforçar significativamente a capacidade de refinação no país e ajudar a reduzir a dependência das importações de combustíveis. Actualmente, cerca de 61% do abastecimento de combustíveis da África do Sul dependem de importações, contra 22% em 2019.
A maior economia do continente africano conta actualmente apenas com duas refinarias de petróleo bruto em funcionamento: a Natref, da Sasol, e a unidade da Astron Energy, na Cidade do Cabo. Em conjunto, as duas instalações têm capacidade para processar cerca de 208 mil barris por dia.
A estas unidades junta-se a fábrica da Sasol em Secunda, que utiliza carvão para produzir combustíveis líquidos e processa cerca de 150 mil barris por dia. Com a recuperação da Sapref, a capacidade adicional prevista pelo CEF permitiria mais do que duplicar a actual capacidade de processamento de petróleo e produção de combustíveis no país.
“A África do Sul não pode perder de vista a importância estratégica da capacidade de refinação nacional”, afirmou o presidente-executivo do CEF, Tshepo Mokoka.
Enquanto a recuperação da capacidade de refinação não avança, o fundo pretende utilizar tanques e infra-estruturas de transferência já existentes para reforçar a capacidade de recepção e movimentação de combustíveis importados.
A iniciativa surge num contexto de crescente preocupação com a segurança energética da África do Sul, à medida que a redução da capacidade de refinação doméstica tem aumentado a exposição do país às importações e às oscilações dos preços internacionais dos combustíveis.
Fonte: Money Web


























































