O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou a violência baseada no género um grave problema social e defendeu o envolvimento dos homens e de todos os sectores da sociedade no seu combate, apelando à adopção da “violência zero” como uma causa nacional, informou a agência Lusa.
“A violência baseada no género constitui um grave problema social que devemos enfrentar e vencer nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nos locais de trabalho ou em qualquer espaço da nossa sociedade. E temos de envolver os homens nesta luta”, afirmou Daniel Chapo, esta quarta-feira (9), em Maputo, durante a abertura da 8.ª Conferência Nacional sobre Mulher e Género, que reúne instituições nacionais, parceiros internacionais e regionais para discutir questões relacionadas com a igualdade de género.
Para o chefe do Estado, o combate à violência deve ser acompanhado por medidas destinadas a reforçar a autonomia económica das mulheres e a permanência das raparigas na escola. Neste sentido, afirmou que o Governo continuará a implementar programas de financiamento a iniciativas empreendedoras de mulheres, além de investir na formação profissional, emprego, acesso à terra, inclusão financeira, mercados, tecnologia e cadeias de valor.
“Empoderar a mulher significa aumentar o seu rendimento, significa aumentar a sua liberdade, permitir-lhe decidir sobre recursos que produz, reforçar a sua voz dentro da família e da comunidade”, disse.
Segundo os dados apresentados por Daniel Chapo, em 2025 o sistema nacional de educação contabilizou mais de 9,7 milhões de alunos, dos quais 49,4% eram raparigas. No sector da saúde, a cobertura de partos institucionais atingiu 90,7%, enquanto o acesso à Justiça passou de 37%, em 2024, para 40,4%, em 2025.
Empoderar a mulher significa aumentar o seu rendimento, significa aumentar a sua liberdade, permitir-lhe decidir sobre recursos que produz, reforçar a sua voz dentro da família e da comunidade
Daniel Chapo
O acesso a recursos produtivos e programas de financiamento alcançou 41,6%, tendo resultado na emissão de mais de 10 mil títulos individuais de uso e aproveitamento da terra. As mulheres representam ainda 39,2% dos deputados da Assembleia da República e 30% dos membros do Governo.
Apesar dos avanços, o Presidente da República considera que persistem desafios e apelou às famílias, comunidades, líderes tradicionais e religiosos, escolas, órgãos de Justiça, forças policiais, sociedade civil, meios de comunicação social e, sobretudo, aos homens, para fazerem da “violência zero uma causa nacional”.
Na mesma ocasião, anunciou que Moçambique acolhe a iniciativa da União Africana para a Inclusão Financeira e Económica das Mulheres e Jovens (WYEI 2030), defendendo a criação de um capítulo nacional para mobilizar financiamento, partilhar conhecimento e aproximar mulheres e jovens de instituições financeiras, sector privado, academia, Estado e parceiros.



























































