O Governo da Coreia do Sul, através da Agência de Cooperação Internacional da Coreia (KOICA), ofereceu a Moçambique equipamento informático avaliado em mais de 300 mil dólares, destinado a reforçar a capacidade do País de gerir e responder a situações de desastre, escreveu a Lusa.
O equipamento foi entregue ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e será também utilizado por outras instituições governamentais envolvidas na preparação e resposta a situações de emergência. A iniciativa faz parte de um projecto da KOICA, desenvolvido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O projecto pretende reforçar a capacidade das instituições moçambicanas para responder aos riscos de desastres, proteger as comunidades vulneráveis e salvaguardar os investimentos de desenvolvimento. “A implementação do projecto visa responder aos riscos interligados que afectam Moçambique através de uma abordagem que assegura que as necessidades das comunidades em situação de risco, bem como os investimentos actuais e futuros para o desenvolvimento, sejam protegidos contra desastres”, disse a presidente do INGD, Luísa Meque.
Segundo a responsável, o INGD continuará a trabalhar para reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos eventos extremos e garantiu que a instituição fará bom uso do equipamento recebido.
O embaixador da Coreia do Sul em Moçambique, Bok-won Kang, destacou, por sua vez, a importância de reforçar a capacidade do País para prevenir e responder aos efeitos dos eventos extremos, no âmbito da cooperação bilateral.
Já o representante do PNUD, Cleophas Torori, salientou a importância de utilizar a tecnologia na preparação para desastres, numa altura em que Moçambique enfrenta riscos associados ao fenómeno El Niño. “Quando a boa tecnologia e equipamento são oferecidos e colocados para uso prático, podemos salvar vidas e fortalecer a resiliência das comunidades vulneráveis”, afirmou.
A entrega do equipamento ocorre num contexto de elevada exposição de Moçambique a eventos climáticos extremos. O País está entre os três países da África Austral que suscitam maior preocupação perante o fenómeno El Niño 2026-27, juntamente com Madagáscar e Maláui, com a Organização das Nações Unidas (ONU) a prever um agravamento da seca, da insegurança alimentar e das deslocações.
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê um El Niño forte entre Novembro de 2026 e Abril de 2027, com precipitação abaixo da média nas regiões Sul e Centro do País. A previsão reforça a necessidade de melhorar a preparação e a capacidade das instituições para responder a possíveis situações de emergência.
A necessidade de reforçar essa capacidade surge também num contexto de vulnerabilidades acumuladas. Cerca de 3,5 milhões de pessoas encontram-se em situação de insegurança alimentar aguda e 662 mil estão deslocadas internamente, sendo a maioria associada ao conflito em Cabo Delgado.
A ONU alertou que a combinação de seca, temperaturas extremas, escassez de água e surtos de doenças poderá agravar os impactos sobre as populações vulneráveis. Perante este cenário, sistemas e equipamentos que permitam antecipar riscos e melhorar a resposta a situações de emergência tornam-se particularmente importantes.


























































