A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, nesta terça-feira, 8 de Setembro, que a falta de profissionais qualificados, de parceiros operacionais e de financiamento está a criar constrangimentos nos esforços para ampliar a resposta ao surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC), à medida que a doença continua a propagar-se geograficamente.
Segundo noticiado pela Reuters, o surto já ultrapassou o epicentro inicial em Bunia, afectando seis províncias e levando as autoridades a adoptar uma estratégia mais descentralizada, através da instalação de centros de tratamento mais próximos das comunidades recentemente afectadas.
De acordo com a OMS, o surto de ébola da espécie Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) já provocou 3175 mortes e infectou mais de seis mil pessoas, tornando-se no pior surto epidémico registado no País. A doença continua a espalhar-se pelo nordeste da RDC.
O responsável técnico da OMS, Luca Fontana, afirmou que já foram instaladas cerca de 1400 camas de tratamento em 59 centros, numa das mais rápidas ampliações de capacidade que testemunhou, incluindo durante a epidemia de ébola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.
“Apesar deste esforço extraordinário, estimamos que serão necessárias mais 1600 camas”, disse.
A OMS estima que sejam necessários cerca de três profissionais de saúde por cada cama destinada a doentes com ébola. Para uma capacidade de 3000 camas, seriam necessários cerca de nove mil profissionais, o que obrigaria ao recrutamento e à formação de aproximadamente cinco mil trabalhadores adicionais.
“Cada vez que um profissional de saúde entra na área dos doentes, equipado com todo o equipamento de protecção individual, o custo é de aproximadamente 25 dólares. Temos centenas de profissionais a entrar na área dos doentes todos os dias”, afirmou Fontana.
O desafio é agravado pela reduzida disponibilidade de organizações internacionais com capacidade para gerir centros de tratamento de ébola. Segundo Fontana, a situação está parcialmente relacionada com o impacto dos cortes mais amplos no financiamento internacional por parte dos doadores.
“Onde estão todas as organizações que geriam centros de tratamento durante os surtos na África Ocidental entre 2014 e 2016? A razão pela qual não estão actualmente no terreno para apoiar esta resposta é provavelmente a falta de recursos, e este é provavelmente um dos constrangimentos que podem atrasar o plano de expansão”, frisou.
Segundo estimativas da OMS, gerir um centro de tratamento com 50 camas custa aproximadamente 500 mil dólares.
A OMS apelou aos doadores para aumentarem o financiamento e acelerarem as contribuições destinadas a financiar o plano de resposta ao ébola, liderado pelo Governo congolês, no valor de 1,3 mil milhões de dólares para os próximos seis meses
A organização estima que apenas cinco ou seis grandes organizações tenham experiência e capacidade para instalar e operar centros de tratamento de ébola. Estas organizações correm o risco de ficar concentradas na gestão dos centros existentes, a menos que outros parceiros intervenham e assumam a gestão das instalações que já estão a funcionar adequadamente, explicou Fontana.
Em alguns casos, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC) está a assumir a responsabilidade por centros que foram abertos no início do surto. O responsável alertou, contudo, que a capacidade do Ministério também poderá ficar sobrecarregada. “Por isso, serão necessários mais intervenientes no terreno para garantir que os parceiros com maior experiência possam voltar à linha da frente”, acrescentou.
A OMS apelou aos doadores para aumentarem o financiamento e acelerarem as contribuições destinadas ao plano de resposta ao ébola, liderado pelo Governo congolês, no valor de 1,3 mil milhões de dólares para os próximos seis meses.



























































