A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) desembolsou cerca de 25 milhões de meticais para indemnizar aproximadamente nove mil produtores afectados por perdas agrícolas durante a campanha 2024-25. A informação foi avançada durante a 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026).
O valor, equivalente a quase 390 mil dólares, destina-se a reduzir o impacto financeiro das perdas provocadas por eventos climáticos e outros riscos agrícolas. O seguro agrário da EMOSE cobre situações como secas, chuvas intensas, pragas, doenças e perdas de rendimento das culturas.
Segundo Victória Magaia, técnica da EMOSE, a companhia disponibiliza duas modalidades principais de cobertura. Uma está associada a factores climáticos e permite activar indemnizações quando a precipitação ou os períodos de seca ultrapassam os parâmetros definidos no contrato.
A segunda modalidade protege o rendimento das culturas contra perdas provocadas por pragas ou doenças. Neste caso, a compensação é calculada com base na redução efectiva da produção. Segundo Victória Magaia, estas soluções de microsseguro procuram responder às necessidades dos pequenos produtores, que têm capacidade financeira limitada para contratar seguros convencionais.
Durante a campanha 2024-25, cerca de sete mil produtores segurados em Nampula e na Zambézia registaram perdas significativas nas culturas de amendoim e estão a receber compensações. No conjunto dos casos, a EMOSE indica cerca de nove mil produtores indemnizados, mas não detalhou o número de beneficiários, os valores pagos e as culturas afectadas em cada província.
A seguradora também não divulgou os critérios utilizados para calcular as indemnizações individuais nem a percentagem das perdas coberta pelo seguro. Considerando os 25 milhões de meticais e os cerca de nove mil beneficiários, a indemnização média seria de aproximadamente 2 800 meticais por produtor, embora os valores possam variar de acordo com cada caso.
O seguro pode desempenhar um papel importante na recuperação das famílias agrícolas, uma vez que a perda de uma colheita pode deixar os produtores sem recursos para adquirir sementes, fertilizantes e outros factores de produção. A indemnização permite, em parte, recuperar a capacidade financeira necessária para retomar a actividade.
Sem este tipo de protecção, os choques agrícolas podem reduzir o rendimento das famílias, limitar o consumo, aumentar o recurso ao endividamento informal e comprometer a continuidade da produção. O seguro pode, por isso, ajudar a preservar activos produtivos e reduzir a necessidade de recorrer a empréstimos ou a apoios públicos de emergência.
A experiência da campanha 2024-25 reforça, assim, a importância de seguros adaptados à realidade dos pequenos produtores. Para além de compensarem parte das perdas, estes mecanismos podem contribuir para reduzir o impacto dos eventos climáticos e de outros riscos sobre os rendimentos das famílias e assegurar a continuidade da actividade agrícola.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)


























































