A semana económica em Moçambique ficou marcada pelas perspectivas de grandes investimentos no gás natural, pelas metas comerciais da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026) e pela inesperada mudança na liderança do Banco de Moçambique (BdM). Estes acontecimentos surgem num momento em que o País procura atrair investimento, diversificar a economia e aumentar as exportações. Ao mesmo tempo, colocam em evidência a importância da estabilidade económica e financeira.
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique poderá receber entre 50 mil milhões e 60 mil milhões de dólares em investimentos na indústria do gás natural nos próximos cinco a dez anos. A previsão foi apresentada na abertura da FACIM 2026 e está associada ao avanço dos principais projectos previstos para a bacia do Rovuma. O volume de capital esperado poderá colocar o sector entre os principais motores do investimento no País.
Segundo Daniel Chapo, os dois projectos da Eni deverão representar cerca de 15 mil milhões de dólares, enquanto o projecto liderado pela TotalEnergies deverá envolver um montante semelhante. A estes investimentos poderá juntar-se o projecto da ExxonMobil, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. O Governo espera que a petrolífera tome, até ao final deste ano, a Decisão Final de Investimento.
O chefe de Estado defendeu, contudo, que a exploração do gás não deve limitar-se à exportação da matéria-prima. O Executivo pretende utilizar as receitas do sector para financiar áreas como a agricultura, a indústria, a energia, o turismo, a mineração, a transformação digital e as infra-estruturas. A intenção é fazer do gás uma fonte de financiamento para a diversificação económica e a criação de mais emprego no País.
Nesse sentido, o Presidente destacou também a necessidade de aumentar a participação das empresas nacionais nos grandes projectos de investimento. O objectivo é permitir que micro, pequenas e médias empresas (MPME) integrem as cadeias de fornecimento, aumentem a sua capacidade produtiva e conquistem mercados externos. Para o Governo, a exploração do gás e de outros recursos naturais deverá gerar maior valor acrescentado dentro de Moçambique.
FACIM aponta para 7,5 mil milhões de dólares em negócios e exportações
As perspectivas de investimento no gás coincidem com as metas apresentadas pela organização da FACIM 2026, que aponta para pelo menos 7,5 mil milhões de dólares em negócios e exportações. A expectativa tem como referência o desempenho recente do comércio externo. Em 2025, Moçambique exportou cerca de 7,5 mil milhões de dólares, enquanto as importações ficaram próximas dos 7 mil milhões de dólares.
Para 2026, a organização prevê que as exportações se mantenham em torno dos 7,5 mil milhões de dólares. No primeiro semestre, o País exportou cerca de 3,5 mil milhões de dólares, resultado que, segundo a organização, poderá permitir atingir ou ultrapassar a meta anual. A produção agrária, as commodities tradicionais e o crescimento do sector dos serviços deverão contribuir para esse desempenho.
Com estas perspectivas, a FACIM procura reforçar o seu papel como plataforma de negócios, e não apenas como espaço de exposição. A edição deste ano reúne cerca de 2300 empresas nacionais e aproximadamente 600 estrangeiras, provenientes de 29 países. A participação de empresas das 11 províncias do País pretende aproximar produtores, investidores, compradores e parceiros internacionais.
A presença estrangeira inclui empresas da Europa, Ásia, América Latina, América do Norte e Médio Oriente, reflectindo o interesse por oportunidades de investimento em Moçambique. Embora o número de empresas nacionais tenha ficado abaixo da previsão inicial de 2500, a organização considera positiva a adesão. O principal desafio passa agora por transformar a participação na feira em contratos, parcerias, investimentos e novas oportunidades de exportação.
BdM muda de governador em menos de 24 horas
No sistema financeiro, a principal surpresa da semana foi a alteração da liderança do BdM. Na noite de 31 de Agosto, a Presidência da República anunciou Waldemar Fernando de Sousa como governador e Felisberto Dinis Navalha como vice-governador. A tomada de posse estava inicialmente marcada para a manhã de 1 de Setembro.
A cerimónia foi, entretanto, adiada para 2 de Setembro e, horas depois, a Presidência anunciou a revogação dos dois despachos. A decisão foi justificada por “questões supervenientes”, sem que fossem divulgados os motivos concretos. Na nova solução, Felisberto Dinis Navalha foi nomeado governador e Benedita Maria Guimino passou a ocupar o cargo de vice-governadora.
A alteração colocou Felisberto Dinis Navalha à frente do banco central, substituindo a solução anunciada menos de 24 horas antes. Benedita Maria Guimino, que já integrava o Conselho de Administração do banco central, passou a exercer a vice-governação. A mudança ocorre num contexto em que a política monetária e a estabilidade financeira são fundamentais para sustentar a recuperação da economia.
Texto: Florença Nhabinde



























































