Os Estados Unidos da América desaconselharam os seus cidadãos a viajar para a Reserva Especial do Niassa e para zonas próximas da fronteira com Cabo Delgado, na sequência de um ataque insurgente que provocou um morto e obrigou cerca de duas mil pessoas a abandonarem as suas casas.
O ataque ocorreu na quinta-feira, 3 de Setembro, na Coutada de Marangira, localizada na Reserva Especial do Niassa, onde um grupo armado destruiu um acampamento turístico da Mozambique Wild Adventures. Segundo alertas emitidos pelas embaixadas norte-americanas em Moçambique e na África do Sul, Washington recomenda aos seus cidadãos que evitem a zona fronteiriça entre Niassa e Cabo Delgado e que não se desloquem à Reserva Especial do Niassa “por qualquer motivo”.
Na sequência do ataque, três turistas norte-americanos foram retirados da área. As autoridades norte-americanas referem que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique realizam operações na região, numa altura em que aumentam as preocupações com a expansão das incursões armadas para fora de Cabo Delgado.
A Reserva Especial do Niassa já integra a categoria máxima de risco nos avisos de viagem do Departamento de Estado dos Estados Unidos, classificada como “Não Viaje”. A mesma recomendação abrange Cabo Delgado e algumas zonas do norte de Nampula, devido ao risco de ataques terroristas. O secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, confirmou que o ataque causou a morte de uma pessoa e levou ao deslocamento de cerca de duas mil pessoas. “Temos mais de 2000 pessoas no local de acolhimento”, afirmou o governante.
Segundo Silva Livone, os atacantes terão entrado no Niassa a partir da vizinha província de Cabo Delgado e procuravam alimentos e outros mantimentos para reforçar a sua logística. O episódio reforça os receios de alastramento da violência armada que afecta Cabo Delgado desde 2017 e que, nos últimos anos, tem registado incursões esporádicas nas províncias vizinhas do Niassa e de Nampula.
Desde o início da insurgência em Cabo Delgado, mais de 6600 pessoas terão perdido a vida e mais de 1,2 milhão foram obrigadas a abandonar as suas zonas de origem. Dados recentes do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários indicam ainda que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1401 novos deslocados em Agosto, enquanto os incidentes ligados ao conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período do ano anterior.



























































