Pelo menos uma pessoa morreu e mais de 2000 foram deslocadas na sequência de um ataque insurgente registado na Coutada de Marangira, na província do Niassa, que destruiu várias infra-estruturas, incluindo um acampamento turístico associado ao ex-seleccionador Carlos Queiroz.
De acordo com a Lusa, o ataque atingiu o acampamento da Mozambique Wild Adventures (MWA), que foi saqueado, queimado e vandalizado pelos insurgentes. Viaturas, residências, um centro de saúde e um posto policial também foram incendiados. Segundo o secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, mais de 2000 pessoas encontram-se actualmente num centro de acolhimento, onde estão a receber assistência.
O governante indicou ainda que, apesar da dimensão da incursão, foi confirmada apenas uma morte. “Deixaram-nos avultados danos materiais, relativamente poucos danos humanos, mas ainda estamos no terreno a trabalhar”, declarou. De acordo com Silva Livone, os atacantes terão vindo da vizinha província de Cabo Delgado, onde decorre uma insurgência armada desde 2017.
As autoridades acreditam que a incursão teve como objectivo reforçar a capacidade logística dos grupos armados, através da recolha de alimentos, viaturas e outros meios. “Do modus operandi, do comportamento que tiveram, literalmente, conduziu-nos a esta conclusão de que os terroristas vieram à procura de reforçar a sua base logística em termos de mantimentos”, explicou.
A organização ambientalista Mozambique Bio, citando fontes locais, estima que a destruição do acampamento tenha provocado a perda de um investimento avaliado em cerca de 3,5 milhões de dólares, realizado ao longo de mais de uma década. A concessão da área onde funciona o empreendimento turístico foi atribuída pelo Governo em 2014.
No momento do ataque, encontravam-se no local três turistas estrangeiros, que estão em segurança, apesar de terem perdido documentos pessoais e dinheiro durante a incursão. Cerca de 15 trabalhadores do acampamento terão igualmente abandonado as instalações e procurado refúgio no mato.
O ataque no Niassa reforça as preocupações em torno do alastramento da insurgência para outras províncias do norte do País. Desde 2025, têm sido registadas incursões pontuais no Niassa e em Nampula.
Desde Outubro de 2017, a insurgência armada em Cabo Delgado já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, segundo organizações internacionais. Dados recentes do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários indicam ainda que a violência armada provocou 1401 deslocados em Agosto, enquanto os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre, face ao mesmo período do ano anterior.



























































