A empresa canadense Eavor desenvolveu uma tecnologia geotérmica capaz de extrair calor de rochas profundas e secas e está a coloccar um sistema em operação pela primeira vez numa fábrica comercial na cidade Geretsried, na Alemanha.
A solução foi criada para produzir electricidade e fornecer aquecimento urbano, ampliando o uso da energia geotérmica para regiões que não possuem reservatórios naturais de água quente.
A solução utiliza o chamado Eavor Loop, um sistema que aproveita técnicas avançadas de perfuração para acessar o calor armazenado no subsolo. A tecnologia poderá representar uma alternativa aos combustíveis fósseis, especialmente em cidades que utilizam gás natural ou carvão para o aquecimento de edifícios.
De acordo com o site Ciclo Vivo, a escolha de Geretsried tem um significado especial. Há cerca de 15 anos, a cidade já havia tentado explorar a energia geotérmica por meio de métodos convencionais. As perfurações, porém, não encontraram uma quantidade suficiente de água quente para tornar a iniciativa viável. Como resultado, a cidade continuou dependendo do gás natural para o aquecimento.
Agora, a Eavor aposta numa abordagem diferente. Em vez de procurar reservatórios naturais de água quente, o sistema utiliza o calor presente nas próprias formações rochosas profundas. “O nosso objectivo principal é levar energia geotérmica para qualquer lugar, em todos os lugares”, afirmou John Redfern, CEO da Eavor, acrescentando que, “instalar o primeiro projecto comercial justamente num local onde a tecnologia convencional não funcionou é uma maneira de demonstrar o potencial do novo sistema”.
O sistema funciona como um grande circuito subterrâneo fechado. Primeiro, são perfurados dois poços verticais que chegam a aproximadamente quatro quilómetros de profundidade. A partir deles, são construídas várias ramificações horizontais que aumentam a área de contacto entre o sistema e as rochas quentes. A água circula pelo circuito e absorve o calor das rochas. Quando retorna à superfície, a água aquecida pode ser utilizada directamente em redes de aquecimento urbano ou empregada na geração de electricidade.
Uma diferença importante em relação a algumas técnicas de exploração geotérmica é que o Eavor Loop não depende da criação de fracturas nas rochas por meio da injecção de fluidos em alta pressão. O sistema utiliza a circulação da água num circuito fechado para captar o calor existente no subsolo. O projecto de Geretsried contará com quatro circuitos, cada um formado por dois poços verticais e aproximadamente uma dúzia de ramificações laterais
A energia geotérmica ainda ocupa um espaço relativamente pequeno no cenário mundial de energias renováveis. Uma das principais limitações está na necessidade de encontrar condições geológicas adequadas, como reservatórios naturais de água quente. O avanço das tecnologias de perfuração, porém, pode mudar esse cenário. A Agência Internacional de Energia (IEA) destaca que novas técnicas permitem alcançar maiores profundidades e explorar o calor existente em regiões que antes eram consideradas pouco adequadas para a geração geotérmica.
Uma diferença importante em relação a algumas técnicas de exploração geotérmica é que o Eavor Loop não depende da criação de fracturas nas rochas por meio da injecção de fluidos em alta pressão. O sistema utiliza a circulação da água num circuito fechado para captar o calor existente no subsolo. O projecto de Geretsried contará com quatro circuitos, cada um formado por dois poços verticais e aproximadamente uma dúzia de ramificações laterais.
Segundo Fatih Birol, director executivo da IEA, a energia geotérmica foi historicamente uma fonte de energia de nicho, concentrada em poucos países. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, no entanto, ela pode passar a contribuir de maneira mais significativa para o sistema energético mundial. Para a Alemanha, essa possibilidade é particularmente importante. O país vem reduzindo sua dependência dos combustíveis fósseis e, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, também intensificou os esforços para diminuir sua dependência das importações de gás natural.
O sector de aquecimento é um dos principais desafios dessa transicção, já que muitos sistemas de aquecimento urbano ainda utilizam combustíveis fósseis. No entanto, se a experiência em Geretsried for bem-sucedida, o modelo poderá ser reproduzido em outras cidades. A proposta é utilizar usinas geotérmicas para produzir calor de forma centralizada e distribuí-lo por meio de redes de tubulações até residências, empresas e outros edifícios.
A tecnologia também já despertou interesse em outras partes do mundo. A Eavor, por exemplo, garantiu um contracto para fornecer aquecimento à cidade de Hanover, na Alemanha, que possui mais de 500 mil habitantes e está reduzindo gradualmente o uso do carvão. No Japão, país com elevado potencial geotérmico, mas que ainda aproveita apenas uma parte desse recurso, a Chubu Electric Power Company também investiu na tecnologia da Eavor.
O interesse internacional está relacionado à possibilidade de tornar a energia geotérmica menos dependente das características específicas de cada região. Em vez de exigir a existência de grandes reservatórios naturais de água quente, o modelo busca utilizar o calor presente nas rochas profundas.
Fonte: Ciclo Vivo


























































