O Governo pretende atrair cerca de 100 milhões de dólares em novos investimentos para a Zona Especial de Processamento Agro-industrial (ZEPA), integrada no Corredor de Desenvolvimento Pemba-Lichinga, através da instalação de unidades industriais e de outros serviços ligados à cadeia de produção agrícola.
A meta foi apresentada esta sexta-feira (4) por Tunísio Camba, coordenador do Projecto da Zona Especial de Processamento Agro-industrial (ZEPA), durante um seminário realizado no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026).
De acordo com Tunísio Camba, a iniciativa prevê a instalação de cerca de 30 unidades industriais num parque agro-industrial com uma área total de 300 hectares. Ao Governo caberá assegurar infra-estruturas básicas, como água e energia, enquanto o sector privado será chamado a investir na construção e exploração das fábricas. “São cerca de 30 unidades que vão estar dentro deste parque”, explicou o responsável, sublinhando que a dimensão prevista para o processamento vai exigir um aumento significativo da produção agrícola na região.
Segundo o coordenador, serão necessários cerca de 100 mil hectares adicionais de produção agrícola para garantir matéria-prima suficiente e permitir que as unidades industriais operem próximo da capacidade prevista. “Cem mil hectares são necessários para alimentar este monstro em construção”, afirmou Tunísio Camba, numa referência à dimensão do parque e às necessidades de produção que deverão acompanhar a instalação das novas indústrias. Entre as oportunidades apresentadas aos investidores estão unidades de processamento de produtos agrícolas, produção de embalagens, moagem, processamento de macadâmia, produção de óleo de gergelim, processamento de batata e feijão, entre outras actividades.
O projecto prevê igualmente a instalação de capacidade própria de produção de energia, estimada entre 10 e 12 megawatts, através de um investimento avaliado em cerca de 12 milhões de dólares, destinado a responder às necessidades do complexo industrial. Além da componente industrial, Tunísio Camba anunciou que está previsto, para este ano, o lançamento de uma linha de crédito rotativo de cerca de cinco milhões de dólares, destinada a apoiar pequenos produtores integrados nas cadeias agrícolas abrangidas pelo projecto. “Nós vamos lançar este ano um crédito rotativo de cerca de cinco milhões de dólares”, avançou, acrescentando que os produtores abrangidos poderão beneficiar de sementes melhoradas e de outros meios destinados ao aumento da produção e da produtividade.
A estrutura do projecto inclui ainda oito centros de agregação da produção e quatro centros de transformação agrícola, concebidos para aproximar a compra e o pré-processamento das zonas de produção. Segundo o coordenador, os centros de agregação deverão funcionar junto das comunidades produtoras, permitindo a compra da produção dos pequenos agricultores, enquanto os centros de transformação ficarão responsáveis pelo pré-processamento dos produtos antes da sua entrada na fase industrial. A medida pretende reduzir os custos logísticos, evitando o transporte de componentes que não serão necessários no processamento final e tornando a cadeia de abastecimento mais eficiente.
Tunísio Camba explicou ainda que o desenvolvimento do parque deverá abrir espaço para outros negócios complementares. Com a instalação das unidades industriais, poderão surgir oportunidades em áreas como formação profissional, saúde, logística, laboratórios, abastecimento de combustíveis e gestão de resíduos. “Uma vila industrial precisa de centros de formação, de clínicas, de bases logísticas, de laboratórios, abastecimento de combustíveis, gestão de resíduos, entre outras oportunidades”, referiu.
Segundo a apresentação feita na FACIM, o projecto já terá mobilizado entre 10 e 12 milhões de dólares, mas o objectivo é elevar o volume de novos investimentos para cerca de 100 milhões de dólares, através das diferentes oportunidades identificadas. O Governo prevê igualmente recorrer a concursos internacionais e a modelos de parceria público-privada para a gestão de parte das infra-estruturas do projecto, enquanto alguns centros de apoio à produção deverão ficar ligados às comunidades locais.
Tunísio Camba sublinhou que o projecto já ultrapassou a fase de concepção e se encontra em implementação, defendendo que as infra-estruturas em desenvolvimento poderão transformar a região num importante pólo de produção, transformação agrícola e investimento privado.



























































