O Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) colocou o acesso ao mercado, ao financiamento e às cadeias de valor no centro do debate da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026). O encontro procurou identificar formas de transformar as oportunidades da integração económica africana em crescimento real para as micro, pequenas e médias empresas (MPME), cooperativas, mulheres, jovens e pessoas com deficiência em Moçambique.
Realizado esta quarta-feira, 2 de Setembro, no Pavilhão Nacional das MPME e Cooperativas, o evento “Comércio Inclusivo e Acesso ao Mercado para MPME e Cooperativas” centrou-se nos obstáculos que dificultam a participação dos pequenos negócios no comércio e no aproveitamento das oportunidades criadas pela integração económica africana.
A iniciativa foi liderada pelo IPEME, em parceria com o Projecto FIRST, um programa financiado pelo Governo canadiano, através da Global Affairs Canada, e executado pela Cowater International, e teve como principal objectivo debater e criar caminhos para que mulheres, jovens e pessoas com deficiência possam aceder e beneficiar das oportunidades económicas oferecidas pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
Além de discutir os obstáculos existentes, o encontro procurou aproximar as MPME e cooperativas das oportunidades oferecidas pela ZCLCA, um dos instrumentos de integração económica do continente. Para isso, foi defendida a criação de condições que permitam aos pequenos negócios participar de forma mais efectiva no comércio.
Os participantes destacaram que a abertura de novos mercados só poderá produzir resultados concretos se os pequenos negócios estiverem preparados para responder às exigências desses mercados. Entre as prioridades apontadas estão o reforço das capacidades empresariais, a melhoria da produtividade e a criação de condições para aumentar a competitividade.
As discussões abordaram questões centrais para a sobrevivência e expansão dos negócios, como o cooperativismo, a formalização e o crescimento empresarial, a inclusão de pessoas com deficiência, o acesso ao financiamento, a certificação, as cadeias de valor e o acesso aos mercados.
O debate mostrou que, para muitas MPME e cooperativas, produzir não é suficiente para aproveitar as oportunidades. É igualmente necessário cumprir os requisitos dos mercados, obter financiamento, certificar produtos e integrar cadeias de valor com maior potencial de crescimento. A inclusão económica de mulheres, jovens e pessoas com deficiência esteve também entre as questões em destaque.
Neste contexto, os participantes defenderam políticas e soluções capazes de eliminar as barreiras que ainda afastam estes grupos das oportunidades económicas e de garantir uma participação mais efectiva no tecido empresarial e comercial. A construção de uma economia mais inclusiva foi associada à geração de emprego e rendimento e ao desenvolvimento económico, com as MPME e cooperativas a desempenharem um papel fundamental na dinamização da economia nacional.
O encontro deixou uma mensagem clara: a abertura de novos mercados, por si só, não garante que os pequenos negócios deles beneficiem. É necessário criar condições para que as MPME e cooperativas possam competir, inovar, cumprir padrões de qualidade, aceder ao financiamento e estabelecer ligações sustentáveis com cadeias de valor nacionais, regionais e continentais. Dessa forma, a ZCLCA poderá traduzir-se em oportunidades concretas de integração económica e comercial para os pequenos negócios.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)

























































