A Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou a Cabo Verde o reforço das capacidades nacionais para implementar iniciativas de desenvolvimento, considerando esta medida a principal orientação para o próximo quadro de cooperação com o país, informou a Lusa.
“O reforço das capacidades nacionais para a implementação de iniciativas com as Nações Unidas é uma necessidade premente e deverá ser a principal recomendação na concepção do próximo quadro de cooperação”, refere o Relatório Anual de Resultados 2025 da ONU em Cabo Verde.
A recomendação surge num contexto marcado por choques económicos globais, aumento dos preços dos alimentos, efeitos da tempestade tropical Erin e pela recente reclassificação de Cabo Verde como país de rendimento médio-alto, condição que reduz o acesso a financiamento concessional.
Perante este cenário, a ONU afirma ter ajustado a sua abordagem no País, passando de um modelo centrado na assistência para uma estratégia orientada para o investimento, parcerias inovadoras, cooperação Sul-Sul e maior envolvimento do sector privado.
Para 2026, o Sistema das Nações Unidas definiu como áreas prioritárias o desenvolvimento local, a economia azul e a transformação digital, mantendo a erradicação da pobreza extrema entre os principais objectivos.
No domínio do desenvolvimento local, a organização pretende apoiar uma maior coordenação entre os diferentes níveis de governação, com enfoque no reforço da governação municipal, na inclusão económica, na resiliência das comunidades, no planeamento e na utilização de sistemas de dados.
A ONU prevê igualmente apoiar a melhoria da prestação de serviços a nível local e a criação de oportunidades económicas, sobretudo para os jovens e os trabalhadores do sector informal.
Na economia azul, a intervenção estará centrada na promoção do crescimento sustentável, na criação de emprego e no reforço da capacidade de resposta às alterações climáticas.
Entre as medidas previstas estão a transformação sustentável do sector das pescas, a melhoria do processamento e do acesso aos mercados regionais, além do reforço dos sistemas de dados e dos mecanismos de controlo de qualidade.
A organização pretende ainda apoiar infra-estruturas ligadas à economia azul, a protecção costeira, a conservação marinha, a economia circular e uma maior ligação entre o turismo e a produção local.
O documento destaca avanços na protecção das crianças, com 99% de cobertura do registo civil, bem como progressos na modernização da justiça, segurança marítima e economia azul.
Na área da transformação digital, a ONU pretende utilizar as tecnologias como instrumento para acelerar o desenvolvimento, através de um programa digital conjunto com incidência em sectores como a saúde, a educação e a governação.
A erradicação da pobreza extrema continuará igualmente entre as prioridades. Para o efeito, está prevista a criação de um mecanismo denominado “Não Deixar Ninguém para Trás”, destinado a acompanhar a evolução da pobreza, bem como a expansão dos fundos municipais de resposta rápida.
A ONU prevê também reforçar o apoio às instituições de protecção social e concentrar a intervenção nas populações consideradas mais vulneráveis, incluindo mulheres, crianças, jovens e pessoas com deficiência.
O relatório alerta que o novo estatuto de Cabo Verde como país de rendimento médio-alto exige uma adaptação das estratégias de financiamento. Neste sentido, a ONU defende uma abordagem baseada em modelos de financiamento combinados e em parcerias com bancos de desenvolvimento.
Execução de projectos da ONU mobilizou 16,8 milhões de dólares em 2025
Entre os principais resultados alcançados em 2025 com o apoio das Nações Unidas, o relatório destaca a eliminação do sarampo e da rubéola, a resposta à tempestade tropical Erin, a expansão da aprendizagem digital e inclusiva e o reforço da protecção social.
O Cadastro Social Único alcançou 64% da população, enquanto o apoio a 40 empresas lideradas por jovens, 45% das quais por mulheres, contribuiu para a criação de 65 postos de trabalho.
O documento destaca ainda avanços na protecção das crianças, com 99% de cobertura do registo civil, bem como progressos na modernização da justiça, na segurança marítima e na economia azul. Em 2025, foram mobilizados 16,8 milhões de dólares, dos quais aproximadamente 14 milhões foram executados.
No mesmo ano, o quadro de cooperação das Nações Unidas com Cabo Verde para o período 2023-27 registou uma taxa de execução de 83,4%, descrita no relatório como “a mais elevada desde o início” da implementação do programa.


























































