Os preços do petróleo encaminham-se para fechar a semana com o maior ganho desde Julho, numa altura em que o retorno das hostilidades entre os Estados Unidos da América (EUA) e Irão está a deixar os investidores apreensivos em relação aos fluxos de energia no Estreito de Ormuz. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afastou qualquer negociação entre os dois países, caso Teerão não deixe de atacar navios na via navegável.
Nesta manhã, o Brent, benchmark para a negociação europeia, continua a negociar em terreno positivo, embora com ganhos reduzidos de apenas 0,08%, para 95,59 dólares por barril, encaminhando-se para fechar a semana com uma valorização superior a 7%. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), crude de referência norte-americano, avança 0,21%, para 91,49 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão sobe 0,6%, para 72,24 euros por megawatt-hora.
Esta semana ficou marcada pelo regresso das hostilidades no Médio Oriente. Os EUA decidiram atacar uma ilha iraniana no Estreito de Ormuz, alegando que Teerão se preparava para utilizar lança-mísseis para colocar novas minas na via navegável. A República Islâmica respondeu com ataques a navios e a bases norte-americanas em países vizinhos, o que levou a uma retaliação por parte de Washington. Israel afirmou, entretanto, estar preparado para retomar os combates, se necessário.
JD Vance tentou minimizar a dimensão do conflito, afirmando junto do Congresso norte-americano que não o descreveria como uma guerra, uma vez que as principais operações de combate terminaram há uma semana. No entanto, o descontentamento continua a crescer e a oposição interna segue o mesmo caminho, com o deputado republicano Pat Harrigan a afirmar que “muito claramente, do ponto de vista militar, estamos num impasse”.
Neste contexto adverso, os mercados petrolíferos estão a “reavaliar a sua vulnerabilidade”, começa por declarar Priyanka Sachdeva, directora de Análises de Mercado da Phillip Nova, à Bloomberg. “O prémio de risco só pode ser reduzido por um determinado período de tempo, enquanto a questão de segurança subjacente permanecer por resolver”, acrescenta.
Só este ano, os preços do petróleo Brent já subiram quase 60%, depois de um ano de fortes descidas, com o crude a ser penalizado, na altura, pelas perspectivas de uma oferta excedentária no mercado. No entanto, após o reacender do conflito no Médio Oriente, a tendência inverteu-se e os produtos refinados estão a ser particularmente afectados, em grande parte devido à continuidade da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Os preços de retalho do gasóleo nos EUA atingiram mesmo, esta semana, o nível mais elevado desde meados de 2022.



























































