O aquecimento global deverá ultrapassar o limite de 1,5 graus Celsius (°C) acima dos níveis pré-industriais nos próximos anos, mas ainda é possível limitar e reverter temporariamente esse excesso, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), divulgado nesta quarta-feira, 2 de Setembro.
O documento indica que, apesar da tendência actual, continuam a existir possibilidades de limitar o aquecimento global e aproximar o mundo das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, adoptado em 2015.
O acordo pretende limitar o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e, preferencialmente, a 1,5°C.
“Devemos fazer com que o excesso seja o menor e mais breve possível, limitando o aumento das temperaturas e o tempo em que se mantêm acima dos 1,5°C”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, citado num comunicado. Para atingir esse objectivo, Guterres defendeu uma aceleração da transição energética, através da eliminação gradual dos combustíveis fósseis, da expansão das energias renováveis, da redução das emissões de metano e da protecção das florestas, dos solos e dos oceanos.
O relatório alerta, contudo, que a redução das emissões deve ser acompanhada por medidas de adaptação capazes de limitar os efeitos da crise climática sobre as populações e os ecossistemas mais vulneráveis. Segundo o PNUA, depois de ultrapassado o limite de 1,5°C, os impactos das alterações climáticas poderão agravar-se “a cada fracção de grau” adicional de aquecimento.
Entre as consequências estão o aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, a destruição de ecossistemas, a subida do nível do mar e o risco de submersão de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e de cidades costeiras situadas em zonas de baixa altitude. A organização alerta ainda para consequências graves na saúde humana, na segurança alimentar, na disponibilidade de água e no equilíbrio dos ecossistemas.
O aumento das temperaturas também eleva o risco de atingir pontos de inflexão potencialmente irreversíveis, incluindo a perda de partes das calotes de gelo da Antárctida Ocidental e da Gronelândia e a degradação da floresta amazónica.
Para responder à ameaça, o relatório recomenda uma estratégia assente em três frentes simultâneas: resposta imediata, adaptação e contenção e reforço da resiliência a longo prazo.
Numa primeira fase, será necessário reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa, com o objectivo de alcançar emissões líquidas nulas, ao mesmo tempo que são implementadas medidas urgentes de adaptação para proteger as comunidades e os ecossistemas mais expostos aos impactos climáticos.
Entre as consequências estão o aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, a destruição de ecossistemas, a subida do nível do mar e o risco de submersão de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e de cidades costeiras situadas em zonas de baixa altitude.
O relatório considera igualmente necessária a remoção de dióxido de carbono da atmosfera para alcançar emissões líquidas negativas. Entre os métodos convencionais estão a reflorestação e a restauração de ecossistemas, enquanto as alternativas tecnológicas incluem a captura directa de carbono do ar e o seu armazenamento.
O PNUA defende que a resposta à crise climática exige vontade política, cooperação multilateral, políticas eficazes, governação inclusiva e financiamento adequado, sublinhando que a equidade e a justiça devem orientar as decisões.
O relatório conclui que os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas e maior capacidade financeira e tecnológica para as enfrentar devem actuar de forma mais rápida e ambiciosa. Ao mesmo tempo, os países que sofrem de forma desproporcional os efeitos da crise climática devem participar nas decisões e ver as suas necessidades consideradas nas respostas internacionais.
Fonte: Lusa



























































