A Índico Seguros inaugurou, esta quinta-feira (3), na cidade de Maputo, a sua nova sede, num acto que marcou igualmente a celebração dos 15 anos de actividade da companhia no mercado moçambicano.
As novas instalações, localizadas na Avenida Julius Nyerere, resultam da reabilitação de um edifício histórico da capital, num projecto que procurou conservar as características arquitectónicas originais e, ao mesmo tempo, incorporar novas soluções tecnológicas para o funcionamento da seguradora.
Durante a cerimónia, o secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, que interveio em representação da ministra das Finanças, destacou o trabalho realizado na recuperação do edifício. “E o trabalho que foi aqui realizado mostra que realmente é possível nós conservarmos o nosso património e todo o cuidado que houve aqui para manter esse edifício com as características arquitectónicas iniciais, naturalmente fazendo as adequações necessárias para manter viva a memória da nossa cidade”, afirmou.
Vicente Joaquim considerou que a inauguração acontece num momento particularmente importante para o mercado segurador moçambicano, marcado por mudanças no quadro jurídico e institucional e por novas perspectivas económicas. “Nós reunimo-nos hoje num momento particularmente importante para o sector de seguros em Moçambique, marcado por transformações no seu quadro jurídico e institucional e por novas perspectivas económicas que trazem consigo maiores exigências, responsabilidades e oportunidades”, disse.
O governante destacou o papel dos seguros na protecção das famílias, empresas, investimentos e património, numa altura em que Moçambique se prepara para receber investimentos em diferentes áreas da economia. “O seguro desempenha uma função essencial na economia, pois protege pessoas, empresas, investimentos e património, contribuindo para a estabilidade e continuidade da actividade económica”, referiu.
Segundo Vicente Joaquim, esta função ganha maior relevância num contexto em que o País se prepara para importantes investimentos nos sectores de energia, recursos minerais, infra-estruturas, agricultura, indústria, transportes e logística. “O sector segurador deve, por isso, estar preparado para acompanhar a transformação da economia nacional, assente em solidez, confiança, boa governação e sustentabilidade”, defendeu.
O secretário de Estado referiu ainda que o Governo tem vindo a modernizar o quadro jurídico e institucional do sector, apontando, entre as mudanças, a criação da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões de Moçambique. De acordo com os dados apresentados durante a intervenção, Moçambique conta actualmente com 23 seguradoras, uma microsseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretoras e 37 agentes. Em 2025, a produção global do sector atingiu cerca de 24,6 mil milhões de meticais.
Para Vicente Joaquim, a nova fase do mercado deve privilegiar não apenas o crescimento, mas também a consolidação e o fortalecimento das instituições. “Precisamos de seguradoras adequadamente capacitadas, bem governadas, tecnicamente capacitadas e financeiramente sólidas, capazes de responder aos compromissos assumidos e aos novos desafios da economia”, afirmou.
O governante salientou que os grandes investimentos nos sectores de energia, recursos minerais e infra-estruturas vão trazer riscos de maior dimensão e complexidade, exigindo maior especialização, capacidade de subscrição, gestão de riscos e qualificação dos profissionais. “Os grandes riscos continuarão naturalmente a exigir a participação do mercado internacional. Contudo, devemos criar condições para que o mercado nacional possa assumir uma participação progressivamente maior dentro dos critérios prudenciais adequados”, acrescentou.
“Tecnologia com inteligência artificial, tecnologia que permite também aos clientes, a nível tecnológico, mesmo não interagir com pessoas, mas, claramente, se precisa interagir com pessoas, interage com pessoas.”
Simone Santi – presidente do Conselho de Administração da Índico Seguros
Vicente Joaquim chamou igualmente a atenção para o desafio da inclusão no sector, referindo que a penetração dos seguros em Moçambique se situa em aproximadamente 1,6%, e que apenas 17% da população adulta beneficia de algum serviço ou produto de seguros. “Existe, portanto, um enorme potencial para aproximar os seguros das famílias, pequenos negócios, agricultores, jovens, trabalhadores informais e comunidades ainda não abrangidos pelos mecanismos formais de protecção financeira”, afirmou.
Segundo o governante, a tecnologia, o microsseguro e os novos canais de distribuição deverão desempenhar um papel importante na expansão do acesso aos seguros. Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Índico Seguros, Simone Santi, afirmou que os 15 anos da companhia representam a consolidação de uma seguradora de capital moçambicano, com forte presença de jovens e mulheres na sua estrutura. “Há 15 anos de uma realidade que se chama Índico Seguros, uma realidade que apostou seriamente na criação de uma empresa completamente de capital moçambicano, para moçambicanos, dirigida para moçambicanos, com excelentes quadros, excelentes funcionários”, declarou.
Segundo Simone Santi, mais de 90% dos trabalhadores da companhia são jovens e mais de 55% são mulheres, havendo igualmente uma presença significativa do sexo feminino nas funções de gestão. O PCA destacou também a combinação entre a preservação do edifício histórico e a introdução de tecnologia nas novas instalações. “É uma casa icónica, todo o País lembra a sua história. Foi reabilitada, mantendo a estrutura e a beleza que merecem, mas também com alta tecnologia dentro”, afirmou.
Simone Santi explicou que a nova sede incorpora soluções de inteligência artificial que permitem aos clientes aceder a determinados serviços e informações através de meios tecnológicos, mantendo a possibilidade de atendimento humano. “Tecnologia com inteligência artificial, tecnologia que permite também aos clientes, a nível tecnológico, mesmo não interagir com pessoas, mas, claramente, se precisa interagir com pessoas, interage com pessoas”, explicou.
Segundo o responsável, a estratégia da companhia continua centrada nas pessoas, famílias, trabalhadores e empresas, ao mesmo tempo que procura acompanhar a transformação dos recursos naturais e o crescimento da indústria nacional. “O importante é que nós pusemos, como Índico Seguros, a pessoa no centro. A pessoa significa as famílias, significa os trabalhadores, significa a indústria, significa acompanhar essas grandes evoluções de transformação de recursos naturais”, afirmou.
Simone Santi defendeu que o desenvolvimento dos grandes projectos em Moçambique representa também uma oportunidade para aumentar a participação das seguradoras nacionais, sobretudo na cobertura dos riscos associados aos sectores do gás, energia, minas e outros recursos. “Este tipo de indústria altamente qualificada precisa de uma seguradora que esteja no passo e que esteja a acompanhar exigências tecnológicas, exigências profissionais”, disse.
Para responder à dimensão dos riscos associados aos megaprojectos, a Índico Seguros conta igualmente com parceiros internacionais. “É claro que essa é uma demanda muito importante, que requer também capacidade financeira. É por isso que a Índico Seguros tem parceiros internacionais, também para garantir que o portefólio e a oferta não sejam só uma oferta nacional, mas que tenham também um apoio a nível internacional”, explicou.
O PCA afirmou que a companhia pretende reforçar a componente moçambicana nos seguros associados aos grandes investimentos e contribuir para que uma maior parcela do valor gerado permaneça no País. “O Índico Seguros está pronto para acompanhar e para aumentar a componente moçambicana e o valor acrescentado que fica aqui no território nacional”, declarou.
Actualmente, segundo Simone Santi, a seguradora conta com mais de 40 mil clientes e 16 agências distribuídas pelo território nacional. “Neste momento temos mais de 40 mil clientes, uma base extremamente importante que cresceu. Temos 16 agências ao longo do território nacional”, afirmou.
A carteira da companhia concentra uma parte importante dos clientes nos seguros de saúde e de viaturas, estando igualmente a crescer a componente ligada às empresas industriais e, sobretudo, ao sector da energia. Simone Santi considera que o desenvolvimento da indústria moçambicana deverá ser acompanhado por uma maior cobertura de seguros, de forma a aumentar a resiliência das empresas e dos investimentos. “O produto moçambicano deve ser acompanhado por um seguro. A fábrica moçambicana deve ser acompanhada por um seguro. Pode acontecer qualquer coisa, mas garante uma resiliência de um sector nacional”, afirmou.
A companhia pretende ainda usar as novas instalações para aumentar o acesso à informação sobre seguros, numa altura em que a adesão continua reduzida no País. “A primeira coisa é o acesso. A Índico vai ter, com esta instalação, um acesso, uma porta aberta para qualquer pessoa entrar”, referiu Simone Santi. Para o PCA, aumentar o número de pessoas abrangidas por seguros passa igualmente por melhorar o conhecimento da população sobre os riscos e as vantagens da protecção financeira. “Para aumentar a componente e a percentagem de pessoas asseguradas no País, é preciso informação”, afirmou.
Sobre a empresa
A Índico Seguros iniciou actividade em 2011. Em 2025, a companhia reportou um crescimento de 44% no volume de prémios, para cerca de 1,72 mil milhões de meticais, e aproximadamente 800,2 milhões de meticais pagos em indemnizações. A inauguração da nova sede assinala, segundo a companhia, uma nova etapa de consolidação, modernização e maior proximidade aos clientes, 15 anos depois do início das suas operações no mercado moçambicano.


























































