O Governo defendeu, esta quinta-feira (3), em Maputo, o reforço da capacidade técnica e financeira das seguradoras nacionais para que possam assumir uma participação cada vez maior nos grandes investimentos previstos para Moçambique, sobretudo nos sectores de energia, recursos minerais e infra-estruturas.
Segundo o secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, durante a cerimónia de inauguração das novas instalações da Índico Seguros, que coincidiu com a celebração dos 15 anos de actividade da companhia, os grandes investimentos que o País deverá receber nos próximos anos vão trazer riscos de maior dimensão e complexidade, obrigando o mercado segurador a reforçar a sua capacidade de subscrição, gestão de riscos, qualificação de profissionais e solidez financeira. “Os grandes investimentos nos sectores de energia, recursos minerais e infra-estruturas trazem riscos de maior dimensão e complexidade e exigirão maior especialização e também capacidade de subscrição, gestão de riscos, seguro e qualificação de profissionais”, afirmou Vicente Joaquim.
O secretário de Estado reconheceu que, devido à dimensão de determinados projectos, continuará a ser necessária a participação de operadores internacionais. Considerou, contudo, fundamental a criação de condições para que as seguradoras moçambicanas aumentem gradualmente a sua presença nestas operações. “Os grandes riscos continuarão a exigir a participação do mercado internacional. Contudo, devemos criar condições para que o mercado nacional possa assumir uma participação progressivamente maior, dentro dos critérios prudenciais adequados”, defendeu.
Vicente Joaquim destacou ainda o papel do sector segurador na protecção das empresas, investimentos, famílias e património, numa altura em que Moçambique se prepara para novos investimentos nos sectores de energia, recursos minerais, agricultura, indústria, transportes e logística.
De acordo com os dados apresentados pelo governante, Moçambique conta actualmente com 23 seguradoras, uma microsseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretoras e 37 agentes. Em 2025, a produção global do sector atingiu cerca de 24,6 mil milhões de meticais.
Apesar do crescimento da actividade, a penetração dos seguros permanece em aproximadamente 1,6%, enquanto apenas 17% da população adulta beneficia de algum serviço ou produto de seguros.
Para o Governo, estes indicadores mostram que o mercado ainda tem amplo espaço para crescer, sobretudo através da aproximação dos seguros às famílias, pequenos negócios, agricultores, jovens, trabalhadores do sector informal e comunidades ainda fora dos mecanismos formais de protecção financeira.
Vicente Joaquim apontou a tecnologia, o microsseguro e os novos canais de distribuição como instrumentos que poderão ajudar a expandir o acesso aos seguros, defendendo, ao mesmo tempo, maior protecção do consumidor, boa governação, transparência e sustentabilidade das instituições. “O sector segurador deve estar preparado para acompanhar a transformação da economia nacional, assente em solidez, confiança, boa governação e sustentabilidade”, concluiu.


























































