O Governo pretende ampliar o acesso ao financiamento para produtores, empreendedores e empresas que desenvolvem actividades económicas nas zonas rurais, através da Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais (LFER), como parte da estratégia de transformação estrutural da economia moçambicana.
A posição foi defendida pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, nesta quinta-feira, 3 de Setembro, durante o Seminário de Divulgação da LFER, em Nampula, norte do País. Na ocasião, destacou a necessidade de aproximar os serviços financeiros dos agentes económicos que actuam nas zonas rurais.
“Estamos perante um instrumento com potencial para aproximar o financiamento dos produtores, dos empreendedores e das empresas que sustentam a actividade económica no meio rural”, afirmou Valá, defendendo que a linha deve contribuir para transformar o potencial económico das zonas rurais em produção, emprego e rendimento.
Segundo o ministro, citado num comunicado do Ministério, a LFER é uma iniciativa estruturada pelo Governo em parceria com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), destinada a responder a um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento rural. “Fazer com que o financiamento chegue, de forma adequada, sustentável, responsável e com custos comportáveis” aos agentes económicos é, de acordo com Valá, um dos principais objectivos da iniciativa.
A LFER dá continuidade ao Projecto de Financiamento de Empreendimentos Rurais (REFP), encerrado em Setembro de 2025. Durante a sua implementação, foram canalizados cerca de 726 milhões de meticais, equivalentes a aproximadamente 11,4 milhões de dólares, através do Moza Banco para nove instituições financeiras participantes.
De acordo com o ministro, os recursos recuperados através dos reembolsos não devem permanecer inactivos nem desaparecer com o encerramento do projecto. “Cada metical aplicado deve produzir impacto no presente e, através da sua recuperação, criar capacidade para financiar outros empreendedores no futuro”, afirmou.
A nova linha será estruturada em três pilares: crédito bancário, mobilização de investimentos e assistência técnica e capacitação empresarial. Para Valá, esta combinação é necessária porque “o crédito, por si só, nem sempre resolve os constrangimentos enfrentados pelos empreendedores rurais”.
“O financiamento precisa de encontrar projectos bem estruturados, gestão competente, assistência adequada, tecnologia apropriada e ligação efectiva aos mercados”, acrescentou, defendendo uma abordagem que vá além da simples disponibilização de crédito.
O ministro apresentou também os resultados do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), que, em 2025, recebeu 356 663 candidaturas, das quais 18 721 foram aprovadas. Até ao momento, foram financiados 18 562 projectos, com uma participação de jovens de 65,97% e de mulheres de 42,46%.
Os projectos financiados através do FDEL permitiram criar 43 044 empregos e beneficiar 112 405 cidadãos. Para 2026, o Governo disponibilizou 1,5 mil milhões de meticais para a iniciativa.
Nampula concentra 16,1% da procura nacional
Na província de Nampula, foram submetidos 57 436 projectos, correspondentes a 16,1% da procura nacional, com necessidades de financiamento estimadas em 8,67 mil milhões de meticais. Foram aprovados e financiados 3869 projectos, responsáveis pela criação de 12 195 postos de trabalho fixos e sazonais.
Valá anunciou igualmente que o Governo está a preparar o lançamento do Fundo para o Empoderamento Económico da Mulher (PROMULHER), previsto para este ano, destinado exclusivamente ao apoio a pequenos negócios desenvolvidos por mulheres nas zonas rurais e urbanas.
Para o ministro, a LFER “não deve ser entendida apenas como mais uma linha de crédito”, mas como “uma plataforma abrangente de inclusão financeira, de empoderamento económico dos empreendedores, de mobilização de investimento e de dinamização das cadeias de valor rurais”.
Valá pede produtos financeiros ajustados à realidade rural
O governante apelou ainda às instituições financeiras para desenvolverem produtos ajustados à realidade económica dos distritos, onde vive cerca de 66% da população moçambicana. “O rigor na análise do risco deve ser acompanhado pela procura de soluções que reduzam barreiras e permitam que projectos viáveis acedam ao financiamento”, defendeu.
Na avaliação da LFER, o ministro considera que o volume de dinheiro desembolsado não deverá ser o único indicador de sucesso. “Terá de considerar a qualidade dos investimentos, a taxa de recuperação, os empregos criados, a participação de mulheres e jovens, o número de produtores integrados e os encadeamentos produtivos gerados”, sublinhou.
O ministro concluiu defendendo que o financiamento rural deve ser encarado como uma ferramenta de transformação económica e social. “Financiar o meio rural não é apenas apoiar uma actividade económica. É ampliar oportunidades, fortalecer comunidades e criar bases mais sólidas para a independência económica de Moçambique.”



























































