O Governo, através da Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC), vai disponibilizar 15 milhões de dólares para financiar o projecto “Transformação da Conservação da Vida Selvagem e dos Meios de Subsistência em Escala de Paisagem em Moçambique” (TRANSFORM), uma iniciativa que pretende reforçar a gestão da biodiversidade e melhorar os meios de subsistência das comunidades que vivem nas áreas de conservação, informou a Agência de Informação de Moçambique.
O anúncio foi feito esta quarta-feira, 2 de Setembro, em Maputo, pelo director-geral da ANAC, Pejul Calenga, durante o workshop de lançamento do projecto, que deverá concentrar as suas intervenções nas paisagens prioritárias de Quirimbas, Marromeu e Gorongosa.
Segundo Pejul Calenga, o financiamento pretende introduzir mudanças na forma como a biodiversidade é gerida nestas áreas, conciliando os objectivos de conservação com as necessidades das comunidades locais.
“Este financiamento tem como objectivo transformar a gestão da biodiversidade nas paisagens de Quirimbas, Marromeu e Gorongosa”, afirmou o director-geral da ANAC.
Comunidades no centro da conservação
Para além da protecção da biodiversidade, o TRANSFORM prevê a criação de oportunidades económicas para as populações que vivem nas áreas abrangidas pelo projecto, através da promoção de meios de subsistência sustentáveis e do desenvolvimento da cadeia de valor da economia da vida selvagem.
“Este financiamento tem como objectivo transformar a gestão da biodiversidade nas paisagens de Quirimbas, Marromeu e Gorongosa”
Pejul Calenga
Pejul Calenga defende que a conservação deve gerar benefícios concretos para as comunidades, de modo a reduzir a pressão sobre os recursos naturais.
“Queremos que estas áreas de conservação sejam veículos para promover meios de vida, apostando na cadeia de valor da economia da vida selvagem, onde a comunidade terá um papel de grande importância”, destacou.
A iniciativa pretende, desta forma, aproximar os interesses da conservação das necessidades económicas das populações locais, criando alternativas que permitam reduzir a dependência directa dos recursos existentes nas áreas protegidas.
Projecto pretende reduzir conflitos entre homem e fauna
A redução do conflito entre o homem e a fauna bravia é outro dos objectivos associados ao TRANSFORM. De acordo com Pejul Calenga, a criação de fontes alternativas de rendimento poderá contribuir para diminuir a pressão exercida pelas comunidades sobre os recursos naturais.
O director-geral da ANAC apontou particularmente para zonas críticas das províncias de Sofala e Niassa, onde os conflitos entre comunidades e fauna bravia constituem um dos desafios à gestão das áreas de conservação.
“Se pudermos dar oportunidade às famílias de ter algum sustento adicional, conseguimos reduzir a dependência dos recursos naturais e, por essa via, diminuir os conflitos”, explicou.
Além da componente económica, o projecto deverá apostar no ordenamento territorial como instrumento para melhorar a coexistência entre as populações, a fauna bravia e os espaços destinados à conservação.
Mais de três milhões de hectares abrangidos
O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Cleophas Torori, afirmou que o TRANSFORM representa um dos maiores investimentos da Facilidade Global para o Meio Ambiente (GEF) no País.
Segundo o responsável, o financiamento global do projecto está estimado em 15,4 milhões de dólares, sendo que a iniciativa terá uma duração prevista de sete anos.
O representante do PNUD explicou que o projecto está estruturado em quatro áreas de intervenção interligadas: conservação da biodiversidade, combate ao tráfico ilegal de animais, promoção de meios de subsistência sustentáveis e mudança de atitudes em relação à biodiversidade.
“Se pudermos dar oportunidade às famílias de ter algum sustento adicional, conseguimos reduzir a dependência dos recursos naturais e, por essa via, diminuir os conflitos.”
Pejul Calenga
“Queremos ir além de bons resultados e alcançar um impacto profundo e sustentável para as pessoas de Moçambique”, sublinhou Cleophas Torori.
Ao longo dos sete anos de implementação, o TRANSFORM deverá contribuir para melhorar a gestão de mais de três milhões de hectares de paisagens consideradas prioritárias, bem como para restaurar corredores ecológicos e reforçar a capacidade das comunidades para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Para o representante do PNUD, a participação das comunidades será determinante para garantir a sustentabilidade das acções de conservação, sobretudo quando os benefícios da protecção dos recursos naturais forem perceptíveis para as populações.
“A participação da comunidade fica mais forte quando as pessoas vêem resultados e benefícios tangíveis da conservação”, concluiu Cleophas Torori.
Com a implementação do TRANSFORM, o Governo pretende reforçar a conservação da biodiversidade e, simultaneamente, criar condições para que as populações residentes nas paisagens abrangidas possam beneficiar das oportunidades económicas associadas à vida selvagem e aos recursos naturais.



























































