As mulheres no País continuam a ter menos de metade das contas bancárias dos homens, apesar dos progressos registados na inclusão financeira ao longo da última década, segundo dados do Banco de Moçambique (BdM) referentes ao primeiro trimestre de 2026.
Os indicadores do banco central mostram que, em Março, existiam 21,5 contas bancárias por cada 100 mulheres adultas, contra 44,2 contas por cada 100 homens adultos, evidenciando uma diferença superior a 20 pontos entre os dois sexos.
Embora a disparidade continue elevada, o acesso das mulheres aos serviços bancários aumentou nos últimos anos. Em 2017, existiam apenas 14,9 contas bancárias por cada 100 mulheres adultas, enquanto entre os homens o indicador situava-se em 35,2 contas por cada 100 adultos do sexo masculino.
A diferença de acesso é menor nos serviços financeiros prestados através do telemóvel. No primeiro trimestre de 2026, as contas de Instituições de Moeda Electrónica (IME) correspondiam a 113 por cada 100 mulheres adultas, contra 140 por cada 100 homens adultos.
O crescimento foi expressivo face a 2020, quando existiam 48 contas de moeda electrónica por cada 100 mulheres adultas, contra 84 por cada 100 homens adultos. Em seis anos, os indicadores passaram para 113 e 140 contas por cada 100 adultos, respectivamente.
Os dados do BdM mostram ainda que os serviços financeiros móveis apresentam uma penetração significativamente superior à da banca tradicional. Em Março, existiam 125,8 contas de moeda electrónica por cada 100 adultos, enquanto as contas bancárias correspondiam a 33,4 por cada 100 adultos.
Em termos absolutos, o número de contas de moeda electrónica registou uma ligeira redução no primeiro trimestre, para 25,3 milhões, enquanto as contas bancárias aumentaram para 6,45 milhões.
Actualmente, o País conta com três operadores de moeda electrónica, M-Pesa, e-Mola e M-Kesh, que disponibilizam serviços financeiros através do telemóvel e constituem um dos principais canais de expansão da inclusão financeira em Moçambique. O sistema bancário é composto por 15 bancos.
No final do primeiro trimestre, o BdM contabilizava 467 622 agentes de moeda electrónica em todo o País, mais 21 018 do que os 446 604 registados em Dezembro de 2025. Estes agentes permitem realizar operações como pagamentos de serviços, transferências e levantamentos de dinheiro.
Já a rede bancária tradicional mantinha cobertura em 128 distritos, correspondentes a 82,6% do total nacional, sem alterações face ao final de 2025. A densidade de agências bancárias situava-se em 9,13 por cada dez mil quilómetros quadrados, praticamente inalterada em relação ao final do ano passado.



























































