Um designer alemão criou uma camisa com cores e padrões propositadamente caóticos para dificultar a identificação de pessoas por sistemas de vigilância baseados em Inteligência Artificial (IA). A peça, denominada “Digital Camouflage”, foi desenvolvida por Simon Weckert como uma experiência sobre privacidade e as limitações dos sistemas de reconhecimento visual.
A camisa apresenta uma combinação de manchas cor-de-rosa, laranja e verdes que procura quebrar a continuidade do contorno do corpo humano. Segundo Weckert, líder da iniciativa, os sistemas de IA não compreendem verdadeiramente o que é uma pessoa, mas aprendem, através de milhões de imagens, padrões estatísticos associados à aparência humana.
“Para a máquina, uma ‘pessoa’ é um conjunto de estatísticas visuais. E é precisamente essa a sua fraqueza”, explicou o designer, citado pela Dezeen. A estratégia consiste em criar um padrão visual suficientemente complexo para dificultar a identificação e a associação das diferentes partes do corpo pelo sistema.
“Para um ser humano, parece um tecido quase hipnótico; para o modelo de IA, não parece absolutamente nada”, afirmou Weckert, que descreve a iniciativa como uma forma de explorar a relação entre tecnologia, vigilância e privacidade.
De acordo com o autor, a própria Inteligência Artificial foi utilizada na criação da camisa. Weckert recorreu a um processo semelhante a um ciclo adversarial, ajustando sucessivamente o padrão para tentar confundir os sistemas de reconhecimento visual.
A experiência parte de uma ideia simples: se os sistemas de vigilância aprendem a reconhecer pessoas através de padrões visuais, alterar esses padrões pode dificultar a sua identificação. Assim, aquilo que para os humanos parece apenas uma camisa excessivamente colorida e pouco atractiva foi concebido como uma espécie de camuflagem digital.
A criação de Weckert estabelece ainda uma comparação com a “T-shirt mais feia do mundo”, peça fictícia imaginada pelo escritor William Gibson no romance Zero History, publicado em 2010. No livro, a roupa era descrita como algo que ultrapassava os limites do punk e da arte, assumindo-se essencialmente como uma afronta.
Fonte: Zap


























































