O secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, defendeu, na terça-feira, 1 de Setembro, em Maputo, que a relação empresarial entre Moçambique e Portugal deve entrar numa nova fase, mais orientada para o investimento, a execução de projectos e a criação de valor. A posição foi apresentada durante o Fórum Empresarial Portugal-Moçambique 2026, realizado à margem da 61.ª Feira Internacional de Maputo (FACIM).
Empresas portuguesas “nunca deixaram Moçambique”
João Rui Ferreira começou por destacar a resiliência das empresas portuguesas, sublinhando que estas mantiveram a sua presença em Moçambique mesmo durante os períodos de maior instabilidade económica.
“As empresas portuguesas, mesmo nos momentos mais difíceis, nunca deixaram Moçambique. Continuaram cá, atravessaram esses momentos de maior dificuldade, outros de crescimento, e é isto que vão continuar a fazer”, afirmou.
O governante reconheceu que 2025 foi um ano “difícil”, mas considerou que o País entrou agora numa nova fase, marcada por uma “perspectiva de optimismo e confiança”. Segundo explicou, os contactos mantidos com empresários portugueses revelaram uma vontade generalizada de permanecer no mercado e continuar a investir.
“Não vi, de facto, nenhum empresário querer abandonar, baixar os braços ou desistir. Muitos têm a sua vida já estruturada em Moçambique, apesar da grande ponte com Portugal, e senti uma mensagem clara de optimismo”, declarou.

Apoio público deve chegar aos projectos locais
Perante esta disposição do sector privado, João Rui Ferreira defendeu a criação de mecanismos públicos que facilitem o desenvolvimento de projectos de investimento em Moçambique, para além dos tradicionais instrumentos de apoio às exportações.
“Cabe-nos, enquanto responsáveis pela política pública e pelas instituições de apoio às empresas, encontrar os melhores mecanismos, não apenas de apoio à exportação, que poderá surgir mais à frente, mas sobretudo de apoio ao desenvolvimento dos projectos de investimento locais”, enfatizou.
Na perspectiva do secretário de Estado, a prioridade deve passar pela criação de condições que permitam às empresas portuguesas transformar o interesse manifestado em investimentos concretos e actividades duradouras no mercado moçambicano.
Infra-estruturas e megaprojectos abrem novas oportunidades
Num outro momento da sua intervenção, João Rui Ferreira identificou a construção de infra-estruturas e a execução dos grandes investimentos previstos para os próximos anos como algumas das principais oportunidades para aprofundar a presença empresarial portuguesa.
Portugal, acrescentou, dispõe de experiência, conhecimento técnico e empresas de engenharia capazes de participar activamente nesse processo.
Na perspectiva do secretário de Estado, a prioridade deve passar pela criação de condições que permitam às empresas portuguesas transformar o interesse manifestado em investimentos concretos e actividades duradouras no mercado moçambicano.
Infra-estruturas e megaprojectos abrem novas oportunidades
Num outro momento da sua intervenção, João Rui Ferreira identificou a construção de infra-estruturas e a execução dos grandes investimentos previstos para os próximos anos como algumas das principais oportunidades para aprofundar a presença empresarial portuguesa.
Portugal, acrescentou, dispõe de experiência, conhecimento técnico e empresas de engenharia capazes de participar activamente nesse processo.
“Sentimos que os próximos dois anos serão de alguma resiliência, mas também de oportunidades do ponto de vista do investimento e das infra-estruturas. Portugal tem condições importantes para contribuir, através da sua engenharia e do conhecimento acumulado”, destacou, considerando que o país pode afirmar-se como um “parceiro importante” de Moçambique.
João Rui Ferreira salientou ainda que os grandes projectos previstos para o País exigirão capacidade efectiva de execução no terreno, uma área em que, na sua avaliação, as empresas portuguesas se encontram bem posicionadas.
“Todos estes grandes projectos de investimento precisam de uma execução física e prática, e temos empresas portuguesas bem posicionadas para isso”, afirmou.
O governante apontou os megaprojectos de gás natural como uma das principais frentes de expansão da economia moçambicana e uma fonte potencial de novas oportunidades para fornecedores e prestadores de serviços.
Salim Valá pede “prosperidade partilhada”
Por seu turno, o ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Valá, defendeu que a relação histórica entre os dois países deve ser convertida em resultados económicos concretos e em benefícios para ambas as partes. “O desafio é transformá-la em prosperidade partilhada”, afirmou, acrescentando que Moçambique procura parceiros que “inovem e produzam com Moçambique, numa perspectiva de longo prazo”.
Para o ministro, o objectivo deve ser “construir uma parceria capaz de aumentar a capacidade produtiva do País, estimular a inovação e criar relações económicas mais duradouras entre empresas moçambicanas e portuguesas”, assinalou.
Salim Valá sustentou igualmente que a nova etapa da cooperação económica deve ser mais exigente, orientada para resultados e menos centrada na assinatura e celebração de acordos. “A nova etapa deve ser mais exigente e, portanto, menos dispersa”, declarou.
Entre os indicadores que deverão servir para avaliar os resultados da parceria, o ministro apontou o capital efectivamente investido, o número de empresas instaladas, a integração de fornecedores locais, a transferência de tecnologia, a capacitação dos jovens e a criação de emprego.

Cerca de 500 empresas portuguesas operam em Moçambique
Já o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, destacou a dimensão alcançada pela relação empresarial entre os dois países. Segundo o diplomata, operam actualmente no mercado moçambicano cerca de 500 empresas de capital português, enquanto mais de mil empresas portuguesas mantêm relações comerciais com Moçambique. Por isso mesmo, sublinhou, “a questão que nos devemos colocar hoje não é saber quanto já fizemos, mas quanto podemos investir, quanto podemos produzir e quanto valor podemos criar juntos”, afirmou.
Na parte final da sua intervenção, Jorge Monteiro reiterou o apoio de Portugal à agenda de reformas de Moçambique, particularmente nas áreas do ambiente de negócios, segurança jurídica, simplificação administrativa, transformação digital e combate à corrupção.
Para o embaixador, a complementaridade entre os recursos e as oportunidades existentes em Moçambique e a experiência e capacidade de execução das empresas portuguesas “deve ser traduzida em projectos concretos, capazes de aumentar o investimento, expandir a produção e criar mais valor nas duas economias”, finalizou.
Texto: Florença Nhabinde

























































