A bolsa norte-americana fechou o primeiro dia de Setembro no vermelho. A incerteza sobre o futuro das taxas de juro nos Estados Unidos de América (EUA) está a crescer, à boleia da subida do preço do petróleo e das consequentes preocupações inflacionistas.
Os EUA lançaram esta terça-feira uma nova vaga de ataques contra alvos no Irão, fazendo disparar os preços do petróleo, numa altura em que os juros da dívida soberana a nível global atingem o valor mais alto desde 2008. O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, afirmou que a ofensiva foi uma retaliação à tentativa do Irão de colocar minas no Estreito de Ormuz e aos ataques anteriores contra uma base militar na Jordânia, avisando que haverá novas operações caso Teerão responda.
Neste contexto, e à medida que se intensificam os confrontos entre os EUA e o Irão no Médio Oriente, o S&P 500 terminou a sessão a recuar 0,71%, para 7631,47 pontos. O Dow Jones caiu 0,79%, para 52 766,88 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdeu 1,03%, para 26 099,77 pontos.
Entre as empresas, destaque para a GoPro, que disparou mais de 40% depois de assinar um acordo de fusão com a Starman Optical, especializada em soluções ópticas. A Apple, por sua vez, subiu 2,61%, depois de Tim Cook ter passado a liderança da empresa a John Ternus, encerrando o seu mandato como CEO.
As petrolíferas continuam também a beneficiar da subida do preço do petróleo. A Chevron avançou mais de 2%, enquanto finaliza um acordo que deverá expandir significativamente as suas operações na Venezuela, com a entrada em dois campos de extracção de petróleo na faixa do Orinoco, no âmbito de uma iniciativa de Trump para aumentar a produção petrolífera no país sul-americano.
Os investidores aguardam agora a divulgação dos dados do emprego nos Estados Unidos, na sexta-feira, que poderão influenciar a decisão da Fed sobre as taxas de juro. “Os preços mais altos do petróleo ameaçam reacender a inflação, aumentando os riscos de uma política monetária mais restritiva”, afirmou Fawad Razaqzada, da Forex.com, citado pela Bloomberg. “Também está a inquietar os investidores a subida contínua dos juros da dívida global, que tende a andar de mãos dadas com o preço do petróleo”, acrescentou.
As expectativas de uma subida dos juros aumentaram na semana passada, depois de o presidente da Reserva Federal (Fed), Kevin Warsh, ter alertado, num discurso em Jackson Hole, que a inflação não está a abrandar de forma significativa. O responsável acrescentou que as autoridades terão de agir caso as pressões sobre os preços não diminuam em breve.
“Warsh vai estar atento ao impacto que o petróleo mais caro tem sobre as expectativas de inflação em todos os horizontes temporais e sobre os juros da dívida”, comentou Krishna Guha, da consultora financeira Evercore. “Uma única subida de juros teria um efeito trivial sobre os juros de longo prazo, e mesmo duas ou três subidas poderão não ter grande impacto”, acrescentou, citado pela Bloomberg. Ainda assim, Guha considerou que a pressão em alta sobre os juros deverá levar o presidente da Fed a exigir sinais mais claros nos dados económicos antes de considerar razoável evitar uma subida em Setembro.

























































