A consultora britânica Oxford Economics considerou que a alteração da nomeação do novo governador do Banco de Moçambique constitui uma “embaraçosa reviravolta” do Presidente Daniel Chapo e levanta “sérias questões” sobre a credibilidade do chefe do Estado, informou esta quarta-feira, 2 de Setembro, a agência Lusa.
Segundo o órgão, a análise surge depois de a Presidência ter substituído Waldemar Fernando de Sousa, inicialmente indicado para governador do Banco de Moçambique, por Felisberto Dinis Navalha. A primeira nomeação tinha sido anunciada na segunda-feira (31), mas foi alterada no dia seguinte, sem explicação detalhada, tendo a Presidência invocado apenas “questões supervenientes”.
De acordo com os analistas do departamento africano da Oxford Economics, a decisão levanta dúvidas sobre o conhecimento que Daniel Chapo tinha relativamente ao passado de Waldemar Sousa. “Será que ele sabia dos esqueletos no armário de Sousa, mas nomeou-o na mesma?”, questionam os analistas, considerando que o episódio afecta a percepção sobre a credibilidade presidencial.
Dúvidas sobre a verificação de antecedentes
A consultora considera ainda que a alteração de última hora suscita dúvidas sobre o processo de selecção para um cargo de elevada importância. “Porquê desistir à última da hora?”, questionam os analistas, acrescentando que, caso Daniel Chapo desconhecesse as alegações contra Waldemar Sousa, o episódio levantaria dúvidas sobre a verificação de antecedentes dos candidatos a cargos de topo.
Pouco depois da nomeação inicial, vários órgãos de comunicação social moçambicanos recordaram que Waldemar Sousa tinha sido visado numa investigação envolvendo antigos administradores do Banco de Moçambique e outros dois gestores, por alegadas infracções financeiras relacionadas com o caso das dívidas ocultas.
“Será que ele [Presidente Daniel Chapo] sabia dos esqueletos no armário de Sousa, mas nomeou-o na mesma?”
Oxford Economics
O caso das dívidas ocultas envolve empréstimos contraídos, entre 2013 e 2014, por três empresas públicas moçambicanas junto de bancos internacionais, com garantias do Estado e sem conhecimento do Parlamento e de parceiros internacionais. As dívidas foram reveladas em 2016 e estimadas em cerca de 2,7 mil milhões de dólares.
Nova liderança no Banco de Moçambique
Na nova decisão, anunciada na terça-feira, 1 de Setembro, Daniel Chapo nomeou Felisberto Dinis Navalha para governador do Banco de Moçambique e Benedita Maria Guimino para vice-governadora. A alteração ocorreu um dia depois de Waldemar Sousa ter sido anunciado para liderar o banco central.
Navalha sucede a Rogério Zandamela, que dirigiu o Banco de Moçambique durante os últimos dez anos. A mudança na liderança ocorre num contexto em que o banco central desempenha um papel crucial na condução da política monetária e na estabilidade financeira do País.
Para a Oxford Economics, contudo, o episódio da nomeação e posterior substituição de Sousa ultrapassa a questão individual do candidato, ao colocar em causa os mecanismos de selecção e verificação de antecedentes utilizados para cargos de elevada responsabilidade no Estado.
Fonte: Agência Lusa



























































