O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) apresentou, no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), a NUTEL App, número único de telecomunicações, uma aplicação destinada a facilitar a actualização dos dados dos subscritores dos serviços de telecomunicações e a reforçar a segurança do ecossistema digital no País.
A apresentação da aplicação foi feita por Reinaldo Zezela, do INCM, que explicou que a iniciativa surge no âmbito dos esforços do regulador para melhorar o registo e a identificação dos utilizadores de serviços de telecomunicações. A nova solução integra um processo de digitalização que pretende substituir procedimentos manuais por mecanismos automatizados de recolha e validação de dados.
Segundo Zezela, o processo passou a incluir a validação da fotografia em tempo real, através da chamada prova de vida, com o objectivo de reduzir situações de fraude e garantir que os dados correspondem efectivamente ao titular.
Outro desafio apontado pelo INCM está relacionado com os equipamentos utilizados nas redes móveis. Segundo o regulador, cerca de 25% dos dispositivos presentes nas redes são considerados piratas.
Operadoras defendem maior sensibilização dos utilizadores
A apresentação da NUTEL App foi seguida de um painel com representantes das três principais operadoras móveis do País – Tmcel, Vodacom e Movitel – que discutiram os desafios relacionados com a identificação dos verdadeiros titulares dos números de telefone.
Francisco Saiete, da Tmcel, considerou que um dos principais problemas é a chamada fraude de identidade. Segundo explicou, é frequente uma pessoa registar um número em seu nome e posteriormente entregá-lo a outra para utilização.
O responsável defendeu, por isso, o reforço das campanhas de sensibilização para explicar aos cidadãos a importância de registarem os números que efectivamente utilizam e de protegerem a sua identidade no ecossistema digital.
Na mesma linha, João Matias, da Vodacom, apontou casos em que vários cartões SIM permanecem registados em nome de uma pessoa que, muitas vezes, nem sequer é conhecida pelo verdadeiro utilizador.
Para Matias, a indústria deve intensificar a educação dos consumidores, explicando por que razão a utilização de cartões registados em nome de terceiros constitui um problema. O representante da Vodacom defendeu igualmente o reforço das campanhas de divulgação, sobretudo perante a introdução de novos canais digitais de registo.
Um desafio apontado pelo INCM está relacionado com os equipamentos utilizados nas redes móveis. Segundo o regulador, cerca de 25% dos dispositivos presentes nas redes são considerados piratas
Por sua vez, Lizeth Massalambane, da Movitel, considerou que a tecnologia já permite disponibilizar vários canais para o registo de subscritores. Segundo explicou, os documentos apresentados são validados pela operadora e posteriormente submetidos ao INCM. O principal desafio está, na sua perspectiva, na veracidade da informação fornecida pelo próprio utilizador.
Massalambane defendeu, assim, o reforço da literacia digital e da sensibilização para os riscos associados à utilização de números registados em nome de terceiros.
A nova aplicação integra uma estratégia mais ampla do INCM para tornar os dados dos subscritores mais fiáveis e permitir que diferentes entidades possam, futuramente, confirmar a identidade dos utilizadores através de uma base de dados segura.
De acordo com Zezela, a expectativa é que seguradoras e outras organizações possam consultar a base de dados para confirmar a identidade de um subscritor, reforçando a confiança nas transacções e nos serviços digitais.
Sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma Economia Sustentável”, a 61.ª edição da FACIM reúne empresas, investidores, instituições e parceiros de diferentes sectores. A feira constitui uma plataforma para promover oportunidades de investimento, negócios e cooperação entre empresas nacionais e internacionais.
Texto: Ana Mangana


























































