A República Democrática do Congo (RDC) colocou em operação comercial uma central de energia solar com 233 MWp de capacidade e um sistema de armazenamento em baterias de 526 MWh, destinada a fornecer electricidade renovável ao complexo de cobre Kamoa-Kakula, um dos maiores empreendimentos mineiros do continente africano. A instalação deu início à operação comercial a 12 de Agosto de 2026 e foi desenvolvida pela CrossBoundary Energy, empresa de desenvolvimento, propriedade e operação de soluções de energia renovável distribuída para o sector comercial e industrial (C&I) em África
A iniciativa combina um parque fotovoltaico de 233 MWp com um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) de 123 MVA e 526 MWh. A configuração foi concebida para garantir pelo menos 30 MW de potência firme à operação mineira, permitindo armazenar a electricidade produzida nos períodos de maior radiação solar e utilizá-la posteriormente, quando a produção fotovoltaica diminuir.
Segundo a CrossBoundary Energy, o empreendimento é a maior iniciativa solar com baterias em África destinada a fornecer energia de base. A empresa destaca também a rapidez da implementação: passaram apenas 16 meses entre a assinatura do contrato de compra de energia, em Abril de 2025, e o início da operação comercial, em Agosto de 2026.
A energia produzida é destinada à Kamoa Copper S.A., uma joint venture formada pela Ivanhoe Mines, Zijin Mining Group e pelo Governo da República Democrática do Congo. O complexo Kamoa-Kakula, localizado nas proximidades de Kolwezi, é considerado pela CrossBoundary o maior complexo de mineração de cobre de África.
De acordo com o site Click Petróleo e Gás, o sistema de baterias procura responder a um dos principais desafios da energia solar: a dependência da luz solar. O armazenamento permite utilizar parte da energia gerada durante o dia em períodos de menor produção, tornando o fornecimento mais previsível para uma operação industrial que necessita de electricidade de forma contínua.
Os 526 MWh de capacidade de armazenamento correspondem, numa relação puramente matemática, a energia suficiente para alimentar uma carga constante de 30 MW durante cerca de 17,5 horas, caso toda a capacidade estivesse disponível exclusivamente para esse nível de descarga. Este cálculo, contudo, não corresponde a uma autonomia operacional oficialmente divulgada pela empresa.
Segundo a CrossBoundary, a instalação deverá produzir cerca de 300 mil MWh de energia limpa por ano e evitar aproximadamente 78 750 toneladas de emissões de dióxido de carbono anualmente. Estes valores são estimativas da empresa e ainda não correspondem a resultados ambientais acumulados após um ano completo de operação.
O projecto surge num contexto em que grandes operações mineiras procuram alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e garantir maior estabilidade no fornecimento de electricidade. Na mineração de cobre, que exige grandes quantidades de energia para extracção e processamento, a combinação de energia solar e armazenamento pode ajudar a reduzir a exposição aos custos e à volatilidade do diesel.
A CrossBoundary afirma ainda que o custo da electricidade renovável firme caiu cerca de 50% nos últimos cinco anos, tornando as soluções que combinam energia solar e armazenamento cada vez mais competitivas face às alternativas térmicas convencionais.
Com 233 MWp de capacidade solar e 526 MWh de armazenamento, o empreendimento na RDC representa uma das maiores aplicações de energia renovável associada directamente à mineração em África. A experiência poderá servir de referência para outras operações industriais do continente que procuram combinar geração renovável, armazenamento e um fornecimento de energia mais estável.

























































