As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão de Setembro divididas entre ganhos e perdas, num dia em que o mercado de obrigações centra as atenções dos investidores, com as yields de uma série países da região a atingirem máximos de vários anos. Na sua estreia em bolsa, as acções da Shein – uma das maiores retalhista de vestuário do mundo – chegou a afundar quase 10% esta terça-feira (1).
O MSCI Asia Pacific, benchmark para a região, está a registar ganhos de 0,41%, depois de inverter o pessimismo registado no arranque da sessão. Por sua vez, os futuros na Europa apontam para uma abertura negativa, com o Euro Stoxx 50 a ceder 0,18%.
Os investidores estão a exigir um prémio cada vez maior para deter obrigações, num contexto marcado por anos de elevados gastos públicos, inflação persistente e um aumento considerável da dívida das empresas ligadas à Inteligência Artificial (IA). Neste cenário, os juros da dívida japonesa a dez anos, a maturidade de referência, tocaram os 3% esta sexta-feira pela primeira vez desde 1996, enquanto a yield australiana atingiu o nível mais elevado desde 2011.
“O mercado obrigacionista não está a entrar em colapso, mas está a enviar uma mensagem muito clara de que uma inflação mais persistente implica taxas de juro mais elevadas durante mais tempo, como mínimo absoluto”, explica Prashant Newnaha, estratega sénior de taxas de juro para a Ásia-Pacífico da TD Securities, à Bloomberg.
“Prevejo que o mercado continue a registar vendas massivas; a deterioração fiscal e o aumento do prémio de prazo deverão continuar a ser os principais motivos de preocupação”, acrescenta o estratega. O movimento é também explicado pelo aumento das expectativas de uma subida das taxas de juro pela Reserva Federal (Fed) norte-americana, depois de o presidente do banco central, Kevin Warsh, ter enviado uma mensagem hawkish aos mercados durante a sua intervenção no simpósio anual da autoridade monetária em Jackson Hole.
Entre as principais movimentações de mercado, a MediaTek disparou 9,94%, depois de a Nvidia ter revelado que vai investir 3,5 mil milhões de dólares na fabricante de semicondutores. Por sua vez, a Shein estreou-se em bolsa com uma queda de 2,39%, recuperando parte das perdas depois de ter chegado a cair quase 10% durante a sessão.
Quanto às principais praças, o chinês Hang Seng e o Shanghai Composite perderam 0,72% e 0,05%, respectivamente. O japonês Nikkei 225 encerrou a sessão inalterado, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,19% e o australiano ASX caiu 0,10%.

























































