O Governo pretende reforçar a capacitação de empresas e técnicos nacionais para aumentar a sua participação nos projectos energéticos, aproveitando as oportunidades criadas pela nova legislação sobre conteúdo local, noticiou, nesta sexta-feira, 28 de Agosto, a Lusa.
“Existe sempre oportunidade e, recentemente, aprovámos a Lei do Conteúdo Local, que cria o mesmo espaço para que empresas e técnicos nacionais possam participar nas diferentes etapas do desenvolvimento dos projectos”, disse a directora nacional de Energias, Marcelina Mucaveia.
A responsável falava durante a terceira edição do Clube de Energia, realizada nesta quinta-feira, em Maputo, dedicada ao financiamento e desenvolvimento de projectos de geração de energia no País, sob o lema “Da Ideia ao Fecho Financeiro”. A sessão foi conduzida pelo director-geral da Globeleq Energia Moçambique, Samir Salé.
Segundo Marcelina Mucaveia, a participação nacional deve abranger todas as fases dos projectos, desde a concepção até à implementação, incluindo o fornecimento de bens e serviços por empresas privadas nacionais.
A responsável defendeu também o reforço da capacidade técnica do País para responder às exigências dos grandes projectos energéticos e aos impactos de fenómenos climáticos extremos, através da formação de recursos humanos e da construção de infra-estruturas mais resilientes.
“O pensamento é justamente continuar a permitir que haja uma capacitação. As nossas empresas e engenheiros devem estar preparados para dar uma resposta à altura da necessidade”, afirmou Mucaveia.
Na mesma ocasião, o presidente do grupo diversificado KKZ Group, Gerson Machel, propôs a criação de uma plataforma permanente de preparação empresarial para responder às oportunidades de futuros investimentos no sector energético.
“Criem uma mesa permanente de preparação empresarial para os projectos energéticos, onde as oportunidades futuras sejam apresentadas com antecedência e as empresas nacionais possam conhecer os requisitos técnicos e financeiros e as certificações necessárias para a participação”, defendeu o responsável.
Segundo Gerson Machel, a preparação antecipada das empresas nacionais poderá reduzir riscos, aumentar a concorrência e melhorar a qualidade dos fornecedores locais, contribuindo para uma maior retenção dos benefícios económicos dos investimentos no País.
Machel defendeu ainda que o conteúdo local deve ser integrado desde a concepção dos projectos, e não apenas numa fase posterior da execução, permitindo às empresas moçambicanas assumir responsabilidades em áreas como engenharia, tecnologia, logística, construção e manutenção.
EDM estima 8,1 milhões de euros para reparar infra-estruturas danificadas pelas chuvas
A discussão decorreu num contexto de expansão do acesso à electricidade no País, mas também de crescente preocupação com a vulnerabilidade das infra-estruturas aos impactos de fenómenos climáticos extremos.
Entretanto, a EDM criou uma unidade de resposta rápida a desastres naturais e mantém a meta de garantir o acesso universal à electricidade até 2030. A taxa nacional de electrificação atingiu 66,4%, enquanto a empresa prevê realizar pelo menos 420 mil novas ligações até ao final de 2026, abrangendo cerca de dois milhões de pessoas.


























































