A economia cresceu 1,7% no segundo trimestre, em termos homólogos, acelerando face aos 0,1% registados nos primeiros três meses do ano e prolongando para três trimestres consecutivos a trajectória de recuperação da actividade económica.
Os dados constam das Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao período entre Abril e Junho. O desempenho representa uma aceleração relativamente ao primeiro trimestre deste ano e sucede ao crescimento de 5,1% registado no quarto trimestre de 2025, período que marcou o regresso da economia a terreno positivo depois de quatro trimestres consecutivos de contracção.
Segundo o INE, o crescimento registado entre Abril e Junho foi impulsionado principalmente pelo sector terciário, que apresentou uma variação positiva de 2,5%. Dentro dos serviços, o maior crescimento foi observado no ramo de Hotéis e Restaurantes, cuja actividade aumentou 14,5%, seguido pelos Serviços Financeiros, com uma expansão de 4,2%. O Comércio e Serviços de Reparação cresceram 1,2%, enquanto os Transportes, Armazenagem, Actividades Auxiliares dos Transportes, Informação e Comunicações avançaram 0,7%.
O sector primário registou igualmente um desempenho positivo, com um crescimento de 1,8%, sustentado sobretudo pela Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura, Exploração Florestal e actividades relacionadas, que cresceram 2%. A Indústria de Extracção Mineira avançou 1,7%, enquanto a Pesca registou uma queda de 1,1%. Em sentido contrário, o sector secundário contraiu 6%, pressionado sobretudo pela Indústria Transformadora, cuja produção caiu 11,2%.
Apesar da contracção registada no sector, os ramos de Electricidade, Gás e Distribuição de Água cresceram 7,1%, enquanto a Construção apresentou uma expansão de 0,8%. Os dados mostram ainda que a Agricultura continua a representar a maior parcela da economia moçambicana, com um peso de 31,6% no Produto Interno Bruto (PIB).
Segue-se a Indústria de Extracção Mineira, com 15%, os Transportes, Armazenagem e Comunicações, com 8%, e o Comércio e Serviços de Reparação, com 7,3%. Pela óptica da despesa, o consumo final cresceu 7,9% no segundo trimestre, reflectindo um aumento de 8,4% no consumo privado e de 6,5% no consumo público.
As exportações aumentaram 5,1% e as importações cresceram 3,1%. Já a formação bruta de capital registou uma queda de 16,5%, influenciada pela redução das existências face ao mesmo período de 2025. A evolução observada no segundo trimestre reforça os sinais de recuperação da economia após as contracções registadas na sequência das eleições gerais de Outubro de 2024 e dos protestos pós-eleitorais, que afectaram empresas, infra-estruturas e várias actividades económicas.
A recuperação começou a ganhar força no último trimestre de 2025, quando o PIB cresceu 5,1%, antes de abrandar para 0,1% no primeiro trimestre deste ano.Apesar da melhoria observada nos últimos três trimestres, o Governo reviu recentemente em baixa a previsão de crescimento económico para o conjunto de 2026, de 2,8% para 0,59%, devido aos efeitos das cheias registadas no início do ano.
As inundações afectaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia e levaram o Executivo a aprovar um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais.


























































