A Associação Moçambicana de Inteligência Artificial (AMIA) foi oficialmente apresentada nesta quarta-feira, 26 de Agosto, em Maputo, numa cerimónia que marcou igualmente a tomada de posse dos seus órgãos sociais. O acto decorreu no auditório do edifício-sede do BCI e reuniu académicos, investigadores, profissionais, empreendedores e outros actores ligados ao sector tecnológico.
O evento foi presidido pelo presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Alberto Chemane, em representação do ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga. Na ocasião, Chemane transmitiu a mensagem do Governo sobre a importância da nova associação para o desenvolvimento do ecossistema de Inteligência Artificial no País.
Na mensagem, foi destacada a importância da AMIA na aproximação entre investigadores, académicos, empreendedores, jovens e outros intervenientes do sector tecnológico, num contexto em que a Inteligência Artificial está a transformar diferentes áreas da sociedade.
“A Inteligência Artificial deixou de ser uma tecnologia do futuro para se tornar uma realidade presente. As suas aplicações estão a transformar sectores como a agricultura, a saúde, a educação, a banca, a indústria, os negócios e a administração pública”, afirmou.
Chemane defendeu ainda que o desenvolvimento da Inteligência Artificial deve ser acompanhado por princípios de ética, segurança e inclusão, para garantir que a tecnologia responda às necessidades das pessoas e contribua para o desenvolvimento do País.
“Precisamos de assegurar que a IA seja desenvolvida e utilizada de forma ética, segura, responsável, inclusiva e centrada no ser humano. Devemos garantir que os benefícios desta tecnologia sejam acessíveis a todos e que ninguém fique para trás neste processo de transformação digital.”
“A AMIA nasceu para ser uma casa de convergência, um espaço onde a academia possa dialogar com a indústria, onde os especialistas possam conversar com o Governo e onde a tecnologia seja confrontada com os problemas reais dos moçambicanos. Por isso, assumo esta posição com profunda humildade.”
Donald Dimas, presidente da Associação Moçambicana de Inteligência Artificial
Na ocasião, o líder da AMIA, Donald Dimas, apresentado oficialmente como presidente da Associação Moçambicana de Inteligência Artificial, referiu que a organização pretende constituir-se como uma plataforma de ligação entre o Governo, o sector privado, a academia, a comunidade tecnológica e a sociedade civil, promovendo a partilha de conhecimento, a investigação e a inovação, bem como o desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial adaptadas à realidade moçambicana.
“A AMIA nasceu para ser uma casa de convergência, um espaço onde a academia possa dialogar com a indústria, onde os especialistas possam conversar com o Governo e onde a tecnologia seja confrontada com os problemas reais dos moçambicanos. Por isso, assumo esta posição com profunda humildade”, afirmou Dimas.
O responsável defendeu igualmente que o verdadeiro potencial da IA está na capacidade de responder a problemas concretos da sociedade, e não apenas no domínio da tecnologia. “O verdadeiro poder começa quando deixamos de perguntar o que é essa máquina e o que pode fazer-nos e passamos a perguntar que problema concreto da nossa sociedade podemos ajudar a resolver”, afirmou.
Dimas sublinhou ainda que a Inteligência Artificial não deve ser vista como uma ameaça aos professores e trabalhadores, mas como uma ferramenta para reforçar as suas capacidades. “Não queremos substituir o professor, queremos dar-lhe melhores ferramentas; não queremos substituir o trabalhador, queremos abrir mais caminhos”, disse, defendendo que a Inteligência Artificial representa uma transformação económica e social com impacto na produtividade, no emprego, no conhecimento, na soberania tecnológica, no desenvolvimento e no combate à pobreza.
Durante a cerimónia, foi também defendida a necessidade de garantir que Moçambique não seja apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas noutros países, mas tenha capacidade para participar na criação de soluções próprias. A aposta na formação de especialistas, na investigação científica, na inovação e no desenvolvimento de aplicações orientadas para os desafios nacionais surge, assim, como uma das áreas estratégicas para o fortalecimento do ecossistema de Inteligência Artificial no País.
Actualmente, Donald Dimas é a principal figura institucional da AMIA. É empreendedor moçambicano ligado às áreas da tecnologia e da Inteligência Artificial, fundador da Rise Tech IA e da Rise Tech Academy, criador da plataforma educacional Genius7 e promotor de outros projectos tecnológicos.
Entre os membros empossados destacam-se ainda Thaís Gomes, responsável pela área de Governança de Dados, Tecnologias Digitais e Sistemas de IA; o engenheiro Jaime Bernardo Mulhovo, responsável pela Cibersegurança e Segurança de Sistemas de IA; Mohamed Adam, responsável pela área de Economia Digital e Inovação Sectorial; e Valdez Inácio da Silva Direito, que assume a área de Direito, Ética e Políticas Públicas de IA.
Sobre a AMIA
A Associação Moçambicana de Inteligência Artificial (AMIA) é uma organização criada para promover o desenvolvimento do ecossistema de Inteligência Artificial em Moçambique, aproximando a academia, o sector privado, o Governo, investigadores, empreendedores e a comunidade tecnológica.
A médio e longo prazo, a Associação pretende contribuir para o desenvolvimento de soluções nacionais nas áreas da agricultura, saúde, educação, cultura e administração pública, bem como para a definição de políticas públicas e novos modelos de formação. O objectivo é posicionar Moçambique como uma referência africana em Inteligência Artificial, com capacidade própria em dados, modelos linguísticos e infra-estruturas computacionais sustentáveis, capaz de atrair investimento, talento e cooperação internacional.
Entre as prioridades da AMIA estão a promoção da literacia tecnológica em todo o País, o mapeamento do ecossistema nacional de Inteligência Artificial, a produção de conhecimento técnico especializado e o apoio à transformação tecnológica de empresas e instituições.
Fonte: Soares Come



























































