O petróleo está a negociar em queda pelo quarto dia consecutivo, numa altura em que o acordo alcançado entre Irão e Omã para partilharem as receitas relativas ao Estreito de Ormuz está a eclipsar um aumento das tensões entre a Ucrânia e a Rússia, que poderão ter um impacto significativo na produção de crude.
Nesta manhã, o Brent, petróleo de referência para a Europa, cede 1,17% para 86,82 dólares por barril, tendo já perdido mais de 7% do seu valor desde o início da semana. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), petróleo de referência nos Estados Unidos da América (EUA), cai 1,36% para 81,12 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão desliza 0,51% para 65,44 euros por megawatt-hora.
Na quarta-feira (26), os preços do crude chegaram a subir, depois de ter sido noticiado que o Presidente russo, Vladimir Putin, estaria a planear uma escalada da guerra com a Ucrânia. No entanto, a tendência inverteu-se depois de os dois países que fazem fronteira com o Estreito de Ormuz terem anunciado que “foram alcançados acordos relativamente à quota de cada país nas águas do Estreito [de Ormuz], bem como à quota do Irão e de Omã nas receitas”.
“O mercado começou a precificar a possibilidade de surgir outro cessar-fogo [entre EUA e Irão]”, explica Saul Kavonic, analista de energia da MST Marquee, à Bloomberg. O analista considera que o acordo alcançado entre a República Islâmica do Irão e Omã está a ser visto pelos investidores como um possível passo para um acordo entre Teerão e Washington.
As negociações entre os dois países em conflito foram mesmo mencionadas no anúncio do acordo sobre a partilha de receitas do Estreito de Ormuz. Sem fornecer grandes detalhes, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, citado pela agência de notícias estatal Sepah News, afirmou que “os EUA estão a obstruir este processo, causando atrasos”.
Teerão já afirmou por diversas vezes que um acordo sobre a navegação no Estreito não significa uma reabertura imediata da passagem. No entanto, de acordo com o Presidente norte-americano, Donald Trump, o petróleo continua a fluir pela via marítima, com cerca de dez milhões de barris a terem atravessado, alegadamente, Ormuz na terça-feira.



























































