Uma equipa de investigadores da University of Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos de América (EUA), desenvolveu uma molécula capaz de utilizar electricidade para extrair metais valiosos de resíduos electrónicos. A tecnologia permitiu recuperar até 89% do ouro presente em lixiviados de lixo electrónico e poderá reduzir significativamente o uso de produtos químicos no processo de reciclagem.
A tecnologia foi demonstrada na recuperação selectiva de ouro a partir de lixiviados provenientes de lixo electrónico (líquidos obtidos através do tratamento químico dos resíduos para dissolver e separar os metais neles contidos). De acordo com os investigadores, o sistema conseguiu recuperar cerca de 89% do ouro, mostrando potencial para tornar a reciclagem de metais mais eficiente e reduzir a dependência de reagentes químicos.
A molécula reúne, numa única estrutura, três características importantes: a capacidade de se ligar selectivamente a determinados iões metálicos, uma carga eléctrica permanente e solubilidade na fase orgânica utilizada durante o processo de extracção.
Na prática, a electricidade permite controlar o comportamento da molécula. Quando activada, liga-se ao metal pretendido e transporta-o para uma fase orgânica. Uma alteração posterior do seu estado eléctrico permite libertar o metal, possibilitando a sua recuperação e a reutilização do sistema.
A abordagem representa uma evolução de uma tecnologia desenvolvida pelo mesmo grupo de investigação em 2024, denominada extracção líquido-líquido contínua mediada electroquimicamente (e-LLE). A nova molécula procura ultrapassar uma das principais limitações da versão anterior, ao incorporar na sua própria estrutura a carga necessária para conduzir electricidade.
Segundo os cientistas, a nova abordagem permitiu reduzir o consumo de produtos químicos entre uma e duas ordens de grandeza, o que poderá diminuir a quantidade de resíduos gerados e facilitar uma futura aplicação à escala industrial.
Embora o ouro tenha sido utilizado como principal demonstração, os investigadores consideram que a tecnologia poderá ser adaptada para recuperar outros metais de elevado valor. Entre as possibilidades estão os metais do grupo da platina, utilizados, por exemplo, em catalisadores automóveis, além de outros elementos considerados críticos para diferentes sectores industriais.
Uma das principais vantagens da tecnologia é a possibilidade de alterar a composição química da molécula para aumentar a selectividade por diferentes metais. A mesma plataforma poderá, assim, ser adaptada a vários processos de recuperação, consoante o material que se pretende separar.
O desenvolvimento surge num momento de crescente procura por tecnologias capazes de recuperar matérias-primas valiosas presentes em equipamentos electrónicos descartados. A recuperação destes materiais pode reduzir a necessidade de explorar novas reservas minerais e, simultaneamente, diminuir os impactos ambientais associados ao tratamento convencional dos resíduos.
Fonte: Zap



























































