O Governo da Ucrânia propôs, nesta terça-feira, 25 de Agosto, uma parceria entre 11 universidades ucranianas e a Universidade Joaquim Chissano, para desenvolver intercâmbio académico, investigação, agricultura, tecnologia e formação.
De acordo com uma publicação da Lusa, a proposta foi apresentada pelo embaixador ucraniano em Moçambique, Rostyslav Tronenko, durante uma palestra na Universidade Joaquim Chissano (UJC), em Maputo, sobre as relações entre os dois países e os desafios da segurança internacional.
Tronenko revelou que o Ministério da Educação e Ciência da Ucrânia já disponibilizou à embaixada uma lista de 11 universidades de diferentes regiões do país interessadas em estabelecer parcerias com a UJC. A cooperação poderá incluir programas de mobilidade de estudantes, docentes e investigadores, projectos de investigação conjunta e bolsas de estudo.
“Queremos compartilhar conhecimento, tecnologias digitais e tecnologias de drones para serem usadas na agricultura (…) e fortalecer a capacidade produtiva”, afirmou o diplomata, defendendo projectos concretos nas áreas da agricultura, segurança alimentar, tecnologia, saúde, energia e educação.
Segundo Tronenko, a aproximação entre universidades poderá reforçar as relações bilaterais através de projectos conjuntos, conferências e intercâmbio académico e científico, bem como de ligações entre instituições de investigação e empresas dos dois países.
“A Ucrânia tem competências reconhecidas em agricultura, equipamentos agrícolas, máquinas de mineração, tecnologias agroindustriais, produtos alimentares, engenharia, tecnologia e soluções digitais”, afirmou. O embaixador apontou ainda oportunidades de cooperação nos sectores do gás, infra-estruturas, segurança energética e energias renováveis.
Para o diplomata, a parceria deverá contribuir para transformar os recursos naturais em benefícios económicos e sociais, através da criação de emprego, desenvolvimento tecnológico e formação de jovens. Defendeu, por isso, que as relações entre os dois países devem ultrapassar a diplomacia institucional e traduzir-se em projectos concretos.
O professor da UJC, Berno Kunchenje, considerou a proposta uma oportunidade para reforçar a cooperação académica e recordou os laços existentes com instituições ucranianas desde o período da antiga União Soviética, nomeadamente na formação de quadros moçambicanos.
“É uma oportunidade”, afirmou Kunchenje, acrescentando que a cooperação deverá seguir os procedimentos institucionais através do Ministério da Educação e Cultura, mas reconhecendo o interesse da universidade nas áreas técnicas apresentadas pelo diplomata.
A intervenção de Tronenko ocorreu também no âmbito das celebrações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia, proclamada a 24 de Agosto de 1991, após a dissolução da União Soviética. O embaixador abordou ainda as raízes históricas do Estado ucraniano e a guerra com a Rússia, defendendo o respeito pelo direito internacional, pela soberania e pela integridade territorial dos Estados.
Apesar do conflito, Tronenko afirmou que o Governo ucraniano pretende reforçar a presença do país em África e considerou Moçambique um parceiro estratégico. Defendeu uma agenda bilateral de longo prazo assente no diálogo, na cooperação e em resultados concretos.



























































