O ouro atingiu máximos de mais de três meses nesta segunda-feira (24), depois de a intervenção do Tesouro norte-americano no mercado obrigacionista ter reacendido receios de um dólar mais fragilizado, o que levou os investidores à procura de alternativas à segurança da moeda dos Estados Unidos da América (EUA).
Nesta manhã, o ouro sobe 0,85%, para 4645,93 dólares por onça, depois de ter chegado a ganhar mais de 1% e atingido o nível mais elevado desde meados de Maio. O metal precioso assegurou na semana passada a terceira semana consecutiva de ganhos, com uma valorização superior a 5%, depois de os Estados Unidos terem anunciado o reforço das recompras de dívida com maturidades entre 10 e 30 anos, num programa que poderá superar os 4 mil milhões de dólares.
A intervenção pretende aliviar os receios em torno das yields elevadas das obrigações de longo prazo, mas está a ser interpretada por alguns analistas como um sinal de fragilidade da economia norte-americana e do dólar. Esta perspectiva tem favorecido o ouro, que valorizou mais de 65% no ano passado.
“Vejo margem para que os fundos macro se orientem de forma bastante acentuada para os metais preciosos, na sequência desta narrativa de desvalorização monetária”, afirmou Justin Lin, analista da Global X ETF, citado pela Bloomberg.
A intervenção do Tesouro poderá não ficar por aqui. Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, afirmou que a Administração deverá apresentar em breve uma iniciativa fiscal para responder aos elevados custos de financiamento registados nos últimos anos.
Depois de vários meses a negociar num intervalo relativamente estreito, num contexto marcado pelos receios em torno da inflação, o ouro ganhou novo impulso nas últimas semanas e atingiu máximos de vários meses.
Segundo a Bloomberg, os fundos negociados em bolsa (ETF, na sigla inglesa) com exposição ao ouro acrescentaram mais de 28 toneladas do metal na semana passada, o maior aumento desde Janeiro, quando uma forte valorização levou o preço a aproximar-se dos 5600 dólares por onça.


























































