A startup brasileira Qnity desenvolveu um sensor que utiliza propriedades quânticas das interações entre moléculas para medir, com alta precisão, a afinidade entre compostos e identificar quais apresentam maior potencial para o desenvolvimento de novos medicamentos. A iniciativa visa, segundo a startup, reduzir o tempo e os custos da fase inicial de pesquisa farmacêutica.
Segundo Diego Stone, engenheiro químico e CEO da Qnity, a proposta é transformar fenómenos que ocorrem entre os electrões das moléculas em informações capazes de indicar quais compostos têm a maior probabilidade de se tornarem candidatos a medicamentos.
Quando duas moléculas se aproximam, os seus electrões começam a interagir. Essa dinâmica envolve fenómenos da física quântica, entre eles o tunelamento electrónico, no qual partículas conseguem atravessar barreiras de energia que não conseguiriam superar segundo a física clássica. A tecnologia desenvolvida pela Qnity procura detectar essas interações e utilizá-las na avaliação dos compostos.
De acordo com o responsável, actualmente, a descoberta de novos medicamentos envolve a análise de centenas ou milhares de moléculas para identificar aquelas capazes de se ligar com maior afinidade a um determinado alvo biológico. Esse alvo pode ser uma proteína de um vírus, um marcador associado ao cancro ou estruturas relacionadas com doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Quanto maior for a afinidade entre uma molécula e o seu alvo, maior pode ser o potencial de utilização do composto nas etapas seguintes de desenvolvimento. A tecnologia pretende, assim, ajudar investigadores a seleccionar antecipadamente as moléculas mais promissoras antes de avançarem para fases mais demoradas e caras de investigação.
Em vez de depender de sensores ópticos utilizados actualmente e que podem ter custos elevados, a plataforma da Qnity combina sensores electroquímicos com canais de microfluídica para medir as propriedades quânticas das interações moleculares. O sistema pode obter informações sobre a afinidade de ligação utilizando apenas uma gota de solução.
A tecnologia também poderá ter aplicações além da descoberta de medicamentos. A startup pretende utilizar a plataforma para identificar biomarcadores, sinais biológicos que podem indicar a presença ou desenvolvimento de determinadas doenças, incluindo alguns tipos de cancro. Nesse contexto, o dispositivo poderia funcionar como um sensor de elevada precisão para aplicações de diagnóstico.
Actualmente, o projecto encontra-se no nível 5 da escala Technology Readiness Level (TRL), que mede a maturidade de uma tecnologia numa escala de um a nove. A Qnity pretende transformar o actual sistema laboratorial num equipamento portátil que possa ser utilizado directamente nas instalações dos clientes, com expectativa de disponibilizar o dispositivo para pré-venda em 2028.
A Qnity também pretende expandir a tecnologia internacionalmente e planeia realizar projectos-piloto no Brasil para avaliar o potencial farmacológico de compostos e extractos provenientes da biodiversidade nacional. A expectativa é que a plataforma possa contribuir para pesquisas relacionadas com doenças raras e negligenciadas, áreas que tradicionalmente enfrentam dificuldades para atrair investimentos.
Fonte: FAPESP


























































