A organização não-governamental Jendayi Moçambique defendeu, esta quarta-feira (19), em Maputo, a criação de um Programa Nacional de Literacia Digital destinado a capacitar os jovens para o uso responsável das tecnologias e reforçar a sua participação nos processos democráticos e de cidadania.
De acordo com a Lusa, a proposta foi apresentada pela representante da organização, Iva Sitoe, durante o lançamento da “Série de Diálogos sobre Juventude e Democracia”, iniciativa dedicada à participação juvenil, cidadania digital e ao papel dos jovens na consolidação da democracia e da paz em Moçambique.
“A segunda proposta seria um programa nacional de literacia digital. É importante ensinar todos os jovens a fazer uso das ferramentas digitais para que possam participar na democracia de forma correcta”, afirmou Iva Sitoe, durante o painel “Da participação política tradicional ao engajamento digital da juventude: que avanços para a democracia?”.
Segundo a representante da Jendayi Moçambique, persistem desafios à participação democrática dos jovens, nomeadamente limitações no acesso e utilização adequada das plataformas digitais, que podem contribuir para reduzir a confiança dos cidadãos nas organizações juvenis e nos espaços de tomada de decisão.
Neste contexto, Iva Sitoe defendeu também o reforço da educação para a democracia nas escolas e universidades. Para a responsável, é necessário preparar os jovens não apenas para utilizar as tecnologias, mas também para compreender o seu papel na definição das políticas públicas e nos processos de participação cívica.
“Cada um de vós aqui é convidado a fazer esse exercício de saber ou entender melhor a literacia digital no âmbito da democracia e da cidadania”, acrescentou.
O encontro foi organizado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), em articulação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e pretendeu criar um espaço de debate sobre as condições necessárias para uma participação juvenil mais efectiva, inclusiva, crítica e responsável.
A iniciativa decorreu num contexto de transformação das formas de acesso à informação, expressão de opiniões e mobilização dos jovens, com as plataformas digitais a assumirem um papel crescente na participação cívica e política.
Durante o debate, o representante da União Nacional dos Estudantes (UNE), Duarte Amaral, defendeu também o reforço da formação cívica promovida pelas organizações juvenis e pela sociedade civil, com o objectivo de aprofundar o conhecimento dos jovens sobre os princípios democráticos, tanto na dimensão prática como legislativa.
“O que nós queremos é um sistema político que nos permita conviver e ter um ambiente cada vez mais pacífico, tanto no plano político como no social”, afirmou Duarte Amaral.
O responsável apontou ainda a criação de comunidades participativas como forma de ampliar a influência dos jovens no desenvolvimento das comunidades. Alertou, contudo, para a existência de obstáculos institucionais, socioeconómicos, culturais e psicológicos que continuam a afastar parte da juventude dos centros de decisão.
“A juventude é literalmente marginalizada e politicamente afastada dos espaços de tomada de decisão, porque há aquilo que os cientistas políticos chamam de dependência do passado, no sentido de que a juventude actual não possui estruturas suficientemente capazes de responder aos desafios que os Estados modernos apresentam”, concluiu.



























































