Especialistas defenderam, esta terça-feira, 18 de Agosto, a integração responsável da Inteligência Artificial (IA) no ensino superior, com a definição de regras claras para estudantes e docentes, adopção de novas formas de avaliação e o reforço do pensamento crítico. A posição foi apresentada durante um webinar subordinado ao tema “Inteligência Artificial no Ensino e Aprendizagem: Oportunidades, Desafios e Perspectivas”.
O professor da Universidade Joaquim Chissano (UJC), Belarmino Botão, defendeu que a Inteligência Artificial (IA) não deverá substituir os professores, mas transformar a forma como trabalham. “A IA não vai substituir os professores, mas sim as tarefas”, afirmou, sustentando que “não devemos proibir a IA, devemos ensinar a utilizá-la”, uma vez que quem dominar a tecnologia com pensamento crítico terá uma vantagem sustentável.
Belarmino defendeu ainda a revisão dos métodos tradicionais de avaliação, sobretudo os baseados na memorização. Para o académico, “as universidades devem valorizar mais a capacidade dos estudantes de formular perguntas, resolver problemas, analisar respostas, tomar decisões e demonstrar pensamento crítico”.
Na investigação científica, Botão apontou a IA como uma ferramenta capaz de apoiar a revisão bibliográfica, o resumo de artigos, a identificação de lacunas, a formulação de hipóteses, a programação, a análise estatística e a redacção científica. Contudo, advertiu que a utilização da tecnologia não elimina a necessidade de rigor científico, metodologia e validação dos resultados.
Já o engenheiro e docente da UJC, responsável pela Área de Aplicações e Sistemas de Informação, Delcínio Chirindza, chamou a atenção para a necessidade de proteger dados pessoais, trabalhos académicos, código-fonte e documentos internos durante a utilização de plataformas públicas de IA. “Os professores e estudantes devem verificar previamente se possuem autorização para partilhar determinados conteúdos com estas ferramentas, de modo a salvaguardar a confidencialidade e os direitos dos seus autores”, alertou.
O engenheiro e director-geral da empresa Cybersecurity, Vanildo Pedro, defendeu também que Moçambique e os restantes países africanos não devem limitar-se a consumir soluções de Inteligência Artificial desenvolvidas no exterior. Para o especialista, é necessário investir na formação de profissionais, na investigação científica e no desenvolvimento de modelos capazes de responder às necessidades e aos contextos específicos do continente africano.
“A segurança deve continuar a ocupar um lugar central, sobretudo à medida que estudantes, professores e profissionais passam a utilizar estas ferramentas em diferentes actividades. Tivemos aqui apresentações muito ricas, que foram fundamentais para criar bases muito sólidas sobre aquilo que os participantes devem observar em termos de conceitos relacionados com a IA”, afirmou Vanildo Pedro.
Os três especialistas defenderam ainda uma maior preparação das universidades para a transformação tecnológica, através da integração da IA nos currículos, da criação de laboratórios de Inteligência Artificial e ciência de dados e da promoção de iniciativas de investigação aplicada e de parcerias entre instituições de ensino, Governo e sector privado.
No encerramento, os especialistas convergiram na ideia de que a Inteligência Artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da capacidade humana. “Não devemos proibir a IA. Devemos ensinar a utilizá-la”, defendeu Belarmino, enquanto os restantes intervenientes reforçaram a necessidade de combinar domínio tecnológico, pensamento crítico, responsabilidade, ética e capacidade de decisão.
Texto: Soares Comé



























































