O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, foi reeleito para um segundo mandato, mas o líder da oposição obteve um resultado inesperadamente forte, capitalizando a frustração da população com as dificuldades persistentes, apesar da recuperação económica.
Os resultados divulgados pela comissão eleitoral nas primeiras horas desta terça-feira (18) mostram que Hichilema obteve cerca de 60% dos votos válidos, contra 38% do seu principal adversário, Brian Mundubile.
Esta foi a sétima candidatura de Hichilema à Presidência e era amplamente esperado que vencesse, devido às vantagens inerentes ao cargo de Presidente em exercício. Em contrapartida, foi a primeira tentativa de Mundubile de chegar à chefia do Estado.
Hichilema, de 64 anos, fez campanha com base no seu desempenho económico desde que assumiu o poder, em 2021, durante uma crise da dívida agravada pela pandemia. Já Mundubile argumentou junto dos eleitores que a melhoria dos indicadores macroeconómicos pouco tinha contribuído para alterar as condições de vida da população.
A Zâmbia, rica em cobre, tem sido um dos principais focos da disputa entre a China e os Estados Unidos pelo acesso aos minerais críticos.
Pós-eleição marcada pelo caos
Depois de uma campanha eleitoral relativamente tranquila até à votação de 13 de Agosto, as tensões aumentaram rapidamente. Na noite das eleições, as autoridades detiveram 11 pessoas, incluindo figuras de destaque da oposição, durante uma operação que envolveu uma troca de tiros. Mundubile encontrava-se no local.
No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem dos votos durante várias horas, devido a relatos de violência contra funcionários eleitorais e ao roubo de boletins de voto. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre uma possível adulteração das actas das mesas de voto e pediu uma investigação independente urgente. O campo de Hichilema, contudo, acusou-o de estar a mentir.
A oposição não deverá aceitar os resultados e poderá apresentar uma contestação judicial, apesar de ser pouco provável que esta tenha sucesso, afirmou Greg Musiker, analista da Zâmbia na consultora Signal Risk.
“Embora seja possível a ocorrência de violência política localizada nos próximos dias, não se prevêem distúrbios generalizados”, acrescentou.
Fonte: Reuters


























































