O número de reclamações apresentadas contra instituições do sector financeiro em Cabo Verde aumentou em 2025, atingindo 278 processos, segundo dados divulgados pelo Banco de Cabo Verde (BCV). O crescimento foi impulsionado principalmente pelo sector bancário e pelo aumento dos casos de fraude.
De acordo com o Relatório de Supervisão Comportamental do BCV, das 278 reclamações registadas em 2025, 245 estavam relacionadas com o sector bancário e 33 com o sector segurador. As queixas contra os bancos aumentaram 11,87% face a 2024 e representaram 88% do total.
Um dos principais factores deste aumento foi a subida das reclamações relacionadas com fraude. Os casos passaram de 10, em 2024, para 25 em 2025, um crescimento de 150%. No sector segurador, foram registadas 33 reclamações, contra 26 no ano anterior, mais 26,9%.
As contas bancárias concentraram o maior número de queixas, com 61 casos, seguidas das fraudes, com 25, do crédito ao consumo, com 21, e das caixas automáticas, com 17 reclamações. Também aumentaram as queixas relacionadas com serviços digitais: as reclamações sobre crédito ao consumo cresceram 90,9%, enquanto as relativas a serviços de banca pela Internet aumentaram 60%.
Entre os principais casos de fraude identificados pelo supervisor estão levantamentos não autorizados em caixas automáticas, pagamentos online não autorizados, fraudes cometidas por funcionários de instituições bancárias e acessos indevidos a contas através de técnicas de phishing, utilizadas para levar as vítimas a fornecer informações sensíveis.
A maioria das reclamações foi apresentada por correio electrónico, através de atendimento presencial e por outros canais disponibilizados pelas instituições financeiras. Além disso, 62 reclamações foram registadas através do livro de reclamações.
A ilha de Santiago concentrou a maior parte dos processos, com 71,4% do total, seguida pela ilha do Sal, com 8,9%, e por São Vicente, com 5,8%. As reclamações provenientes da diáspora representaram 4,3%.
Entre as instituições financeiras, o Banco Comercial do Atlântico (BCA) concentrou o maior número de reclamações da competência do BCV, com 49% do total. Seguiram-se o Banco Interatlântico (BI), com 19%, e a Caixa Económica de Cabo Verde, com 16%.
O acompanhamento dos processos permitiu devolver mais de 3,15 milhões de escudos (cerca de 28,6 mil euros) aos clientes, dos quais 3,14 milhões de escudos (cerca de 28,5 mil euros) foram devolvidos pelos bancos e 12 366 escudos (cerca de 112 euros) pelas seguradoras.
Os dados do BCV mostram, assim, não só o aumento das reclamações no sistema financeiro cabo-verdiano, mas também o crescimento dos problemas associados à digitalização dos serviços bancários, sobretudo no que diz respeito a fraudes e acessos não autorizados às contas dos clientes.
Fonte: Sapo



























































