O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) abriu, no primeiro semestre deste ano, nove processos-crime envolvendo agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), suspeitos de corrupção passiva, abuso de cargo e prisão ilegal.
A informação foi avançada esta terça-feira (18), em Maputo, pelo porta-voz do GCCC, Romualdo Johnam, durante uma conferência de imprensa de balanço das actividades desenvolvidas nos primeiros seis meses do ano.
Segundo o responsável, três agentes do SERNIC foram detidos e processados por alegadamente se terem dirigido a um parque de venda de viaturas, onde terão exigido cerca de 13,5 mil euros para cancelar uma investigação em curso.
Os agentes foram detidos em flagrante quando recebiam uma parcela de cerca de 1619 euros. O processo já foi remetido ao tribunal.
Outros dois agentes do SERNIC foram igualmente detidos e constituídos arguidos por suspeitas de corrupção passiva. De acordo com o Ministério Público, terão exigido pagamentos a um suspeito como condição para não executarem um mandado de captura.
Os dois arguidos encontram-se actualmente em liberdade, a aguardar o pronunciamento do tribunal.
O GCCC revelou ainda que quatro agentes da PRM foram detidos por suspeitas de prisão ilegal, abuso de cargo e corrupção passiva para acto ilícito, depois de alegadamente terem detido de forma irregular um cidadão estrangeiro e submetido o mesmo a exames médicos fora dos procedimentos legalmente estabelecidos.
Segundo as autoridades, os agentes terão exigido ao cidadão o pagamento de 400 euros como condição para a sua libertação. Os processos-crime foram igualmente remetidos ao tribunal, enquanto os arguidos aguardam os desenvolvimentos em liberdade.
“Damos a conhecer que continuamos a registar vários casos de cobranças ilícitas por parte de agentes da Polícia da República de Moçambique ou membros dos serviços de investigação criminal”, afirmou Romualdo Johnam.
Os casos fazem parte de um quadro mais amplo de processos de corrupção investigados pelo GCCC durante o primeiro semestre. No período, o órgão tramitou 1646 processos, contra 1509 no período homólogo de 2025, mais 137 casos.
Do total, 559 processos foram concluídos, contra 491 no primeiro semestre de 2025. Entre os crimes com maior incidência estão a corrupção passiva para acto ilícito, com 306 processos, o abuso de cargo ou função, com 144, a corrupção activa, com 103, a simulação de competências, com 74, o peculato, com 68, e o branqueamento de capitais, com sete.
Segundo dados divulgados pelo GCCC, as práticas de corrupção investigadas causaram ao Estado prejuízos estimados em cerca de 43,6 milhões de euros no primeiro semestre.


























































