O grupo sul-africano Shoprite Holdings, a maior cadeia de supermercados da África do Sul, registou uma queda de 16,4% nas vendas das operações continuadas em Moçambique nas 52 semanas terminadas em 28 de Junho deste ano. Os dados constam da actualização operacional divulgada a 12 de Agosto, que aponta Moçambique como o mercado com pior desempenho entre os principais mercados individualizados pelo grupo.
A queda torna-se ainda mais significativa quando é eliminado o efeito cambial. Considerando as vendas a taxas de câmbio constantes, a operação moçambicana recuou 10,3%, o que mostra que a redução não pode ser explicada predominantemente pela conversão das receitas de meticais para rands.
A metodologia de câmbio constante utilizada pela Shoprite consiste em converter as vendas do período actual utilizando as taxas médias registadas no período anterior. O objectivo é retirar das comparações o impacto das oscilações das moedas nacionais e permitir uma avaliação mais directa da evolução das vendas.
Mesmo depois deste ajustamento, a operação em Moçambique apresenta uma redução de dois dígitos. O resultado contrasta com o desempenho dos restantes mercados, uma vez que o conjunto dos supermercados da Shoprite fora da África do Sul cresceu 7,1% quando calculado a taxas de câmbio constantes no mesmo período.
O resultado anual prolonga as dificuldades já identificadas pela empresa nos primeiros seis meses do exercício. Em Março, ao apresentar as contas do semestre terminado em Dezembro de 2025, o grupo afirmou que a rentabilidade das operações fora da África do Sul permanecia desafiante.
Na mesma ocasião, a Shoprite destacou especificamente as “condições adversas em Moçambique” como um dos factores que penalizaram o desempenho do segmento. A nova actualização mostra agora que a deterioração das vendas no mercado moçambicano persistiu ao longo do exercício.
A evolução ocorre apesar do crescimento das operações africanas da Shoprite no conjunto do exercício. Actualmente, o grupo opera cerca de 26 lojas em Moçambique, mantendo uma presença significativa no mercado nacional.
Em Setembro de 2025, o director-executivo da Shoprite, Pieter Engelbrecht, revelou à Reuters que Moçambique estava entre os mercados sob observação do grupo. Pieter Engelbrecht associou essa cautela às dificuldades económicas e de segurança, bem como aos sucessivos adiamentos dos grandes projectos de gás natural no norte do País.
Na altura, contudo, não existia uma decisão de abandonar o mercado moçambicano. Nos últimos anos, a estratégia africana da Shoprite passou de uma política de expansão continental para uma concentração crescente nos mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde a proximidade logística e operacional com a África do Sul oferece vantagens adicionais.
Fonte: O Económico



























































