A África do Sul assumiu hoje, 17 de Agosto, a liderança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com o objectivo de aprofundar o comércio regional, numa altura em que a própria avaliação do bloco revela um cenário marcado pelo crescimento económico moderado, barreiras comerciais persistentes e declínio da industrialização.
A ascensão de Pretória à presidência do bloco de 16 membros ocorre após protestos contra imigrantes em situação irregular na África do Sul, que obrigaram dezenas de milhares de pessoas, sobretudo provenientes do Zimbabué e do Maláui, a abandonar o país.
O Presidente Cyril Ramaphosa procurou abordar directamente a questão antes do início da cimeira dos líderes da SADC, nesta segunda-feira, afirmando que a África do Sul estava “profundamente preocupada e envergonhada” pelo facto de cidadãos de outros países terem sido recentemente alvo de discriminação e maus-tratos. “Não podemos defender a integração nas cimeiras e praticar a exclusão nas nossas ruas”, afirmou.
O relatório sobre a Região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que deverá ser adoptado na mesma cimeira, na cidade portuária de Durban, no leste do país, mostra que o comércio intra-regional continua abaixo dos níveis registados antes da pandemia, enquanto a indústria transformadora perde terreno e o crescimento permanece demasiado fraco para atingir as metas de criação de emprego e desenvolvimento económico do bloco.
O comércio intra-regional cresceu para 20% em 2025, segundo o relatório. Nove barreiras não pautais de longa data continuam por resolver, enquanto os recorrentes conflitos comerciais, as restrições às importações e as sobretaxas continuam a aumentar os custos de fazer negócios através das fronteiras.
O crescimento regional aumentou para 3,4% no ano passado e está previsto que atinja 3,9% em 2026. Contudo, o Zimbabué foi o único membro da SADC a alcançar a meta de crescimento de 7% em 2025, e nenhum país deverá atingir essa meta este ano. A contribuição da indústria transformadora para o Produto Interno Bruto (PIB) regional caiu para 10,9% em 2025, muito abaixo da meta de 30% estabelecida pelo bloco para 2030.
Fluxos de remessas
A África do Sul exportou 28,3 mil milhões de dólares em mercadorias para os países da SADC em 2024 e importou 6,8 mil milhões de dólares, segundo dados compilados pelo Trade Law Centre, com sede em Stellenbosch, na África do Sul. O bloco representou 91% das exportações intra-africanas da África do Sul, com o país a fornecer aos seus vizinhos bens industriais, maquinaria, alimentos e produtos de consumo. O desequilíbrio também se reflecte nas remessas.
Mais de 6,9 mil milhões de dólares foram enviados da África do Sul para os países da SADC entre 2016 e 2024, segundo dados do Banco de Reserva da África do Sul. As remessas para a região aumentaram para 1,19 mil milhões de dólares, com o Lesoto, Zimbabué, Moçambique e Maláui a representarem 90% dos pagamentos. Os fluxos de remessas provenientes dos países da SADC para a África do Sul totalizaram 1,58 mil milhões de dólares durante o período, deixando uma diferença de 5,36 mil milhões de dólares.
A presidência de um ano da África do Sul no bloco estará centrada na promoção da industrialização, das cadeias de valor regionais e das infra-estruturas, com o Governo a procurar aumentar o processamento de minerais críticos e de produtos agrícolas dentro da própria região.
O Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC deverá também assumir um papel de destaque, à medida que o bloco procura mobilizar capital para projectos industriais e de infra-estruturas. O seu plano empresarial para 2026-2027 prevê a implementação de um roteiro revisto para o fundo.
Fonte: Bloomberg


























































