Enquanto os conflitos, o terrorismo e as tensões geopolíticas continuam a afectar a estabilidade mundial, alguns países africanos conseguiram destacar-se como verdadeiras ilhas de paz. O mundo está a tornar-se cada vez mais instável, com o nível de paz global a diminuir pela 15.ª vez nos últimos 18 anos, segundo o mais recente Índice Global da Paz (GPI) 2026, publicado pelo Institute for Economics & Peace (IEP).
O relatório concluiu que o nível médio de paz no mundo deteriorou-se 0,7% no último ano, marcando o 12.º declínio anual consecutivo. Os conflitos em curso no Sudão, Ucrânia, Myanmar e Sahel, juntamente com o aumento das tensões geopolíticas e os níveis recorde de despesa militar, continuam a afectar a estabilidade mundial.
Só em 2025, mais de 181 mil pessoas morreram em conflitos violentos em todo o mundo, enquanto o número de pessoas deslocadas à força permaneceu acima dos 117 milhões.
O indicador relativo às mortes resultantes de conflitos internos registou a maior deterioração desde a criação do índice, impulsionada em grande parte pelo agravamento da violência no Sudão e pela persistência da insegurança em várias regiões.
África reflecte este cenário contraditório. Enquanto algumas partes do continente continuam a enfrentar terrorismo, insurgências e instabilidade política, vários países conseguiram manter níveis relativamente elevados de paz e segurança.
Em declarações ao Business Insider Africa, Thomas Morgan, director de investigação do Institute for Economics & Peace (IEP) e co-autor do Índice Global da Paz 2026, afirmou que, para além dos factores de instabilidade já conhecidos no Sahel, os responsáveis políticos devem acompanhar de perto o potencial impacto da guerra no Irão sobre o panorama de segurança em África.
“O único factor que ainda está por se manifestar e que iremos acompanhar mais atentamente nos próximos três a seis meses é o impacto da guerra no Irão”, afirmou Morgan ao Business Insider Africa.
O investigador alertou que as consequências geopolíticas e de segurança mais amplas do conflito poderão, eventualmente, fazer-se sentir em todo o continente africano.
“Poderemos verificar que, dentro de seis meses, o impacto total da guerra no Irão começa a manifestar-se em toda a África”, afirmou.
Classificação da paz em África
A África Subsaariana registou uma ligeira deterioração do nível de paz em 2026, com a pontuação média da região a piorar 0,2%. A região alberga agora oito dos 20 países menos pacíficos do mundo, contra cinco em 2008, evidenciando o impacto crescente dos conflitos, sobretudo no Sahel Central.
Apesar destes desafios, vários países africanos continuam a apresentar resultados superiores aos dos seus pares regionais, beneficiando de estabilidade política, baixos níveis de criminalidade violenta, instituições mais fortes e envolvimento limitado em conflitos armados.
As Maurícias mantiveram a posição de país mais pacífico de África e ficaram em 18.º lugar a nível mundial, destacando-se significativamente de todos os outros países africanos no índice. O país insular continua a beneficiar de estabilidade política, instituições sólidas e níveis relativamente baixos de conflitos internos.
A Guiné Equatorial surgiu como o segundo país mais pacífico do continente, ocupando o 38.º lugar a nível mundial, enquanto o Botsuana manteve a sua longa reputação de estabilidade e boa governação, assegurando o terceiro lugar em África.
A África Ocidental esteve fortemente representada na classificação, com a Gâmbia, Serra Leoa, Senegal e Gana a integrarem os dez países mais pacíficos, apesar dos desafios de segurança que afectam algumas partes da região.

Morgan observou que, embora as mortes relacionadas com o terrorismo no Sahel tenham diminuído em 2025 pela primeira vez em vários anos, a região continua a representar mais de metade das mortes provocadas pelo terrorismo em todo o mundo. Grupos como o JNIM estão a evoluir de movimentos insurgentes para aquilo que descreveu como entidades “quase estatais”, que controlam vastos territórios e impõem bloqueios económicos.
“Parece haver indícios de que o JNIM controla agora território suficiente para ter mudado de táctica, avançando para bloqueios económicos e bloqueios de combustível nas cidades do Mali”, afirmou Morgan.
Morgan defendeu que a mudança do Sahel, que se afastou de parceiros tradicionais de segurança como os Estados Unidos, a França e as Nações Unidas para se aproximar do Africa Corps da Rússia, passou a privilegiar a protecção dos regimes em detrimento dos esforços de combate ao terrorismo. Segundo o investigador, esta mudança contribuiu para o agravamento da violência extremista, particularmente no Níger.




























































