Apenas 17% da população adulta moçambicana tem acesso a algum tipo de seguro, apesar do crescimento registado pelo sector nos últimos anos, revelou nesta segunda-feira (17), em Maputo, a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi.
De acordo com a Lusa, a governante falava na abertura da Conferência Internacional da Organização das Seguradoras da África Oriental e Austral (OESAI), onde destacou os avanços do mercado segurador nacional, mas reconheceu que a reduzida cobertura continua a constituir um dos principais desafios do sector.
Em 2025, o mercado segurador moçambicano movimentou cerca de 335 milhões de euros, tendo alcançado uma taxa de penetração de aproximadamente 1,6%. O sector conta actualmente com 23 seguradoras, uma microsseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretores e 37 agentes.
No primeiro semestre deste ano, a produção de seguros ultrapassou 166 milhões de euros, acima do valor registado no mesmo período de 2025. “Este indicador revela tanto o caminho a percorrer como o potencial de expansão do mercado”, afirmou Maria Benvinda Levi, referindo-se aos 17% de adultos que actualmente têm acesso a serviços ou produtos de seguros.
Segundo a primeira-ministra, os dados mostram que, apesar das limitações existentes, o mercado nacional mantém uma trajectória de crescimento e profissionalização, reforçando a sua capacidade de proteger cidadãos e empresas e de apoiar o investimento. “Mais cidadãos segurados significam famílias e empresas mais capazes de enfrentar imprevistos e participar no desenvolvimento do País”, declarou.
A governante defendeu que a expansão dos seguros deve ser encarada como uma questão de inclusão financeira, protecção social e resiliência económica, sobretudo num País particularmente vulnerável a choques climáticos. “Alargar o acesso aos seguros significa reduzir vulnerabilidades, proteger rendimentos e preservar actividades económicas”, sublinhou.
Maria Benvinda Levi recordou que Moçambique está exposto regularmente a ciclones, cheias e secas, fenómenos que provocam impactos nas comunidades, empresas, agricultura, infra-estruturas e meios de subsistência.
Ao mesmo tempo, assinalou que o País apresenta oportunidades de investimento em sectores como energia, recursos naturais, agricultura, transportes e infra-estruturas, cuja concretização sustentável exige mecanismos adequados de gestão e transferência de riscos. Neste contexto, a primeira-ministra defendeu a consolidação de um mercado segurador “sólido, profissional, inovador e capaz de responder a uma economia em transformação”.
A governante destacou igualmente o reforço do quadro institucional do sistema financeiro, apontando a criação e consolidação da Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões de Moçambique (ASFPM) como um passo importante para melhorar a supervisão, a estabilidade do sector e a protecção dos consumidores.
Para ampliar a cobertura, Maria Benvinda Levi defendeu também uma maior utilização da inteligência artificial, ciência de dados e soluções digitais, considerando que estas ferramentas podem contribuir para melhorar a avaliação dos riscos, reduzir custos operacionais e desenvolver produtos mais adequados às necessidades da população.
A primeira-ministra apontou ainda a cooperação regional como essencial para responder a desafios comuns enfrentados pelos países africanos, entre os quais as alterações climáticas, os riscos cibernéticos e o financiamento de catástrofes naturais. “Nenhum país poderá enfrentar estes desafios isoladamente. A cooperação regional é uma necessidade”, afirmou, defendendo uma maior partilha de experiências e o reforço das capacidades técnicas entre seguradoras, resseguradoras, reguladores e outros intervenientes do sector.



























































