O sector privado moçambicano prevê que o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, possa criar oportunidades de negócio para cerca de 10 mil empresas nacionais e contribuir para a geração de rendimento para aproximadamente dois milhões de moçambicanos, através da componente de conteúdo local.
De acordo com a Lusa, a projecção foi avançada esta sexta-feira (14), em Maputo, pelo presidente para o Conteúdo Local da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Adrian Frey, após um encontro entre a organização empresarial e representantes da petrolífera norte-americana, numa altura em que o megaprojecto se aproxima da decisão final de investimento. “O nosso objectivo na CTA, no conteúdo local, é trazer rendimento para dois milhões de pessoas e contratos para 10 mil empresas”, afirmou Adrian Frey.
Segundo o responsável, o alcance destas metas dependerá, em grande medida, do estabelecimento de parcerias entre empresas moçambicanas e os grandes investidores envolvidos nos principais projectos estruturantes do País. “Na visão do conteúdo local, isso só é possível com parcerias. Parcerias com os grandes investidores, como a Exxon e outros”, acrescentou.
A CTA tem vindo a criar mecanismos destinados a aproximar as empresas nacionais das oportunidades geradas pelos grandes investimentos, tendo já disponibilizado mais de 600 concursos e oportunidades de negócio e emprego através das suas plataformas.
A organização pretende igualmente reforçar o apoio às empresas na preparação das candidaturas e no cumprimento dos requisitos exigidos pelos grandes projectos, incluindo através da MozApp, plataforma da ExxonMobil que disponibiliza informações sobre os critérios de qualificação dos potenciais fornecedores. Para a CTA, a estratégia de conteúdo local não deve ficar limitada ao sector do gás natural, devendo abranger igualmente áreas como mineração, agricultura e outros sectores que possam integrar as cadeias de fornecimento dos grandes projectos de investimento.
Por sua vez, o director de Desenvolvimento da ExxonMobil para Moçambique, Anthony Pryde, reiterou o compromisso da companhia em trabalhar com empresas e organizações nacionais para maximizar os benefícios económicos associados ao Rovuma LNG, embora não tenha avançado uma data para a decisão final de investimento.
“A ExxonMobil levantou, em Novembro de 2025, a declaração de força maior, permitindo a retoma dos preparativos para o desenvolvimento do empreendimento”
ExxonMobil
A ExxonMobil prevê tomar ainda este ano a decisão final de investimento do projecto. No passado dia 6 de Agosto, a companhia seleccionou o consórcio SMDC, constituído pela Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para executar as principais obras de engenharia, aquisição e construção da primeira fase do desenvolvimento em terra. Em Julho, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou esperar que a decisão final de investimento seja tomada até Setembro, classificando o Rovuma LNG como o maior projecto de investimento privado em África.
Localizado na Área 4 da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, o projecto foi suspenso na sequência dos ataques de grupos armados registados na província em 2021. A ExxonMobil levantou, em Novembro de 2025, a declaração de força maior, permitindo a retoma dos preparativos para o desenvolvimento do empreendimento.
O Rovuma LNG prevê a construção de 12 módulos de liquefacção, com capacidade combinada para produzir 18,6 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano. O início da produção está projectado para 2031. Um estudo do Standard Bank estima que o empreendimento possa acrescentar cerca de 11 mil milhões de dólares por ano ao Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e gerar aproximadamente 151 mil postos de trabalho ao longo da cadeia de valor.
O mesmo estudo aponta para a possibilidade de o Estado arrecadar cerca de quatro mil milhões de dólares anuais em receitas, enquanto a ExxonMobil estima que Moçambique possa obter um encaixe acumulado de aproximadamente 150 mil milhões de dólares ao longo de 30 anos de operação. Além do Rovuma LNG, Moçambique conta com outros grandes projectos de exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, entre os quais o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, e os projectos Coral Sul e Coral Norte, operados pela italiana Eni.



























































