A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) está a consolidar directrizes para orientar o uso da Inteligência Artificial (IA) no ensino, aprendizagem, investigação e gestão, com enfoque na ética, transparência, protecção de dados, integridade académica e supervisão humana, informou esta quarta-feira, 12 de Agosto, a Agência de Informação de Moçambique.
De acordo com o órgão, o anúncio foi feito em Maputo, pelo reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, durante a inauguração da Sala do Futuro, na Faculdade de Ciências, uma infra-estrutura dedicada à Robótica e à Inteligência Artificial.
Segundo o reitor, as orientações em preparação pretendem garantir que a adopção da IA na universidade seja acompanhada por princípios que preservem a responsabilidade e o papel central das pessoas nos processos académicos.
“Pretendemos promover uma utilização responsável, ética, transparente e centrada no ser humano, que valorize a integridade académica, a protecção de dados, a supervisão humana e o pensamento crítico”, afirmou.
A nova Sala do Futuro deverá funcionar também como espaço para a aplicação prática das orientações que estão a ser consolidadas pela universidade, permitindo testar e aperfeiçoar os princípios definidos para o uso da IA.
“Esta Sala deverá constituir um ambiente privilegiado para aplicar, testar e aperfeiçoar esses princípios”, declarou Manuel Guilherme Júnior.
Sala dedicada à Robótica e IA
A infra-estrutura foi concebida para proporcionar condições de experimentação, investigação, aprendizagem colaborativa e desenvolvimento de protótipos nas áreas da Robótica e Inteligência Artificial.
Pretendemos promover uma utilização responsável, ética, transparente e centrada no ser humano, que valorize a integridade académica, a protecção de dados, a supervisão humana e o pensamento crítico
Manuel Guilherme Júnior
A UEM pretende que estudantes, docentes e investigadores utilizem o espaço para desenvolver competências científicas e tecnológicas, testar ideias, formular soluções e explorar aplicações de IA e Robótica em articulação com diferentes áreas do conhecimento.
A aposta ocorre num contexto de rápida expansão das tecnologias de Inteligência Artificial, que, segundo o reitor, já produzem impactos em sectores como saúde, educação, agricultura, indústria, ambiente e segurança.
Neste cenário, a universidade considera que a adopção destas tecnologias deve ser acompanhada pela preparação de estudantes, docentes e investigadores para uma utilização crítica e responsável.
A Sala do Futuro integra um conjunto de investimentos destinados a reforçar a capacidade de investigação e inovação da UEM, juntando-se ao Centro de Dados, recentemente inaugurado, e ao Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia.
As três estruturas deverão funcionar de forma complementar, formando um ecossistema tecnológico dentro da universidade.
“O Centro de Dados assegura a base tecnológica, o Laboratório de Automação favorece a concepção e o ensaio de sistemas e a Sala do Futuro aproxima a tecnologia dos processos de ensino, aprendizagem, investigação e inovação”, explicou o reitor.
A articulação entre as infra-estruturas deverá permitir a partilha de recursos e competências entre diferentes unidades académicas e criar condições para o desenvolvimento de soluções tecnológicas.
Transformação digital
A iniciativa enquadra-se na Estratégia de Transformação Digital da UEM, prevista no “Master Plan” da instituição, que contempla a modernização das infra-estruturas, sistemas, processos e competências digitais.
O Centro de Dados assegura a base tecnológica, o Laboratório de Automação favorece a concepção e o ensaio de sistemas e a Sala do Futuro aproxima a tecnologia dos processos de ensino, aprendizagem, investigação e inovação
Manuel Guilherme Júnior
Manuel Guilherme Júnior sublinhou, contudo, que a transformação digital da universidade não depende apenas da aquisição de equipamentos, exigindo também mudanças organizacionais, integração de sistemas e desenvolvimento de competências.
A Sala do Futuro deverá ainda estabelecer uma ligação entre a universidade e escolas secundárias parceiras nos arredores de Maputo, através de demonstrações e experiências práticas destinadas a despertar o interesse dos estudantes pelas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
O projecto foi financiado pelo Ministério da Educação e Cultura, através de fundos do Banco Mundial, e contou com a participação de docentes, técnicos, coordenadores, unidades da UEM e parceiros nacionais e internacionais.
Com a nova infra-estrutura, o reitor espera que a universidade consiga transformar o investimento em novas pesquisas, projectos, parcerias e tecnologias desenvolvidas em Moçambique.
“Que daqui surjam novas ideias, pesquisas, projectos, parcerias e tecnologias desenvolvidas em Moçambique para responder aos desafios de Moçambique e do mundo”, apelou.



























































