O Moza Banco encerrou Junho com 29,66% da sua carteira de crédito em incumprimento, acima dos 27,58% registados no final de Março, revelam dados oficiais do Banco de Moçambique (BdM).
Os números constam dos documentos sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros do Sistema Bancário referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2026, consultados esta quinta-feira (13), pelo Diário Económico.
De acordo com os dados do segundo trimestre, o rácio de crédito em incumprimento (NPL, na sigla inglesa) do Moza Banco fixou-se em 29,66% no final de Junho, representando um agravamento de 2,08 pontos percentuais face aos 27,58% observados em Março.
Apesar do aumento do crédito em incumprimento, a instituição reforçou o nível de cobertura dos NPL, que passou de 36,42% no primeiro trimestre para 46,85% no segundo trimestre. Os dados mostram, assim, que praticamente três em cada dez meticais da carteira de crédito do Moza Banco se encontravam em situação de incumprimento no final de Junho. O Moza Banco apresenta um dos rácios de crédito malparado mais elevados entre os principais bancos comerciais que operam no País.
BCI mantém NPL acima de 14%
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) registou uma ligeira melhoria no mesmo período. O rácio de crédito em incumprimento passou de 14,47% em Março para 14,11% em Junho. A cobertura do crédito em incumprimento do BCI situou-se em 25,11% no final do segundo trimestre, acima dos cerca de 21,03% observados três meses antes.
Já o Millennium bim manteve um nível de NPL comparativamente mais baixo, embora tenha registado uma ligeira deterioração. O indicador subiu de 2,37% em Março para 2,62% em Junho. Em contrapartida, a cobertura do crédito em incumprimento do Millennium bim aumentou de aproximadamente 86,57% para 91,91% no período.

FDH reduz NPL para 0,13%
Entre as instituições analisadas, o FDH Bank Moçambique apresentou um dos níveis mais baixos de crédito em incumprimento, com um rácio de apenas 0,13% em Junho, contra cerca de 1% em Março. O banco apresentou igualmente um rácio de cobertura do NPL de 99,98%, segundo o documento do Banco de Moçambique.
A instituição resulta da aquisição do Ecobank Moçambique pelo FDH Bank, do Maláui. Ainda em 2025, o Ecobank chegou a apresentar níveis particularmente elevados de crédito em incumprimento, antes do processo de saneamento da carteira. O Access Bank Moçambique também melhorou a qualidade da sua carteira no segundo trimestre. O rácio de NPL caiu de 6,96% em Março para 5,46% em Junho, aproximando-se do nível de referência de 5%.
Standard Bank e FCB entre os níveis mais baixos
Os indicadores consultados pelo DE mostram diferenças significativas na qualidade das carteiras de crédito das instituições bancárias. No final de Junho, o Standard Bank Moçambique apresentava um rácio de crédito em incumprimento de 1,48%, enquanto o First Capital Bank (FCB) registava 1,66%. O First National Bank (FNB) apresentava um rácio de 3,12%, o Nedbank Moçambique de 3,20% e o Absa Bank Moçambique de 4,07%. Estas instituições mantinham, assim, o crédito em incumprimento abaixo da fasquia de 5%.
Em sentido contrário, outras instituições continuavam a apresentar níveis mais elevados de NPL. O Banco Letshego registava 9,20%, o Banco Nacional de Investimento (BNI) cerca de 7,21%, o United Bank for Africa (UBA) 8,59% e o Vista Bank Moçambique 19,06%. Os documentos do Banco de Moçambique mostram que a evolução da qualidade do crédito continua a ser desigual entre as instituições, com alguns bancos a manterem níveis reduzidos de incumprimento e outros a apresentarem rácios significativamente mais elevados.
No caso do Moza Banco, além do agravamento de 27,58% para 29,66% entre Março e Junho, o nível de NPL permanece substancialmente acima do registado nas maiores instituições do sistema bancário nacional, apesar da melhoria observada na cobertura dos créditos em incumprimento.
Texto: Felisberto Ruco



























































